terça-feira, 22 de maio de 2018

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 Acho que se torna praxe vir escrever um dia antes do meu aniversário. Costumo fazer uma espécie de retrospectiva, mas este ano não estou para aí virada.
Cada ano é diferente, é um facto. Cada ano tenho uma nova história para contar. Não fosse eu um passarinho que gosta de voar e pousar de vez em quando num lugar e deixar marca (quem me conhece vai perceber o que eu quero dizer). Estou em constante mudança, também é um facto, e de cada vez que esta surge, eu digo a mim mesma que vou lutar pelo que quero verdadeiramente. Mas desisto. Porque tenho um filho e tenho medo que algo lhe falte, vou pelo caminho mais fácil. Porque tenho uma casa e gosto que nada falte em casa, vou pelo caminho mais fácil. Porque não sei o que me espera, vou pelo caminho mais fácil. Porque tenho medo, vou pelo caminho mais fácil. E assim desisto dos meus sonhos, dos meus objectivos para poder ter uma vida...mais fácil. Mas a vida tem me ensinado MUITA coisa. E apesar de já ter vindo a ensinar à algum tempo que eu não posso desistir de nada, a verdade é que só agora tive aquele click de acreditar que sou capaz de lutar pelo que quero. Ensinou-me sobretudo que eu consigo tudo o que quero, se fizer por isso, se lutar por isso, se der tudo de mim para conquistar tudo. Acho que já tive provas suficientes disso.
E então, 2018 é o ano dos objectivos finalmente cumpridos.
Agora, vou confessar que começo a ficar assustada ao ver os anos passar, a vida a passar, e tudo muda. Quando somos crianças queremos muito ser adultos, mas nunca paramos para pensar em como as coisas mudam. Observava muitas vezes os meus pais e desejava aquilo, ser grande, casar, ter filhos, e ser feliz. O que não é de todo verdade. Os meus pais em algum momento da vida de casados foram felizes, quero acreditar que sim, mas a verdade é que não houve o para sempre. Ser mãe sempre foi um sonho, sempre sempre, e achava eu que era a melhor coisa do mundo (e é, atenção!), e apesar de toda a gente nos avisar, a verdade é que não estamos preparados para as noites sem dormir, para os choros desentendidos, para as birras sem motivo, para a primeira ida à urgência, para o primeiro internamento, para a primeira queda... Bem, poderia ficar aqui a noite toda a dizer que no fundo, eu não estava preparada para nada disso. Casar, ai casar, que nas novelas é sempre maravilhoso, nos casais que vemos na rua, nos nossos pais, nos nossos irmãos, mas também não nos dizem da quantidade de vezes que vamos fazer as malas para sair de casa (acreditem que fiz algumas vezes), nas discussões absurdas, até mesmo nas discussões que voam pratos (no meu caso são saladeiras). Não estamos preparados para nada na nossa vida adulta.
Mas depois, crescemos.
O casamento é uma magia quando vivida com amizade, eu acredito que a base fundamental do meu casamento é a amizade que nos une à tantos anos. Os filhos, que são a melhor coisa do mundo, independentemente do que eu tenha passado não estou minimamente arrependida de ter sido mãe, às vezes acho que já o deveria ter sido à mais tempo. E passar os anos...A vida muda tanto, mas tanto...Sabem aqueles momentos em que querem lembrar-se de algumas recordações de infância e não conseguem? Começo a passar por isso... Começo a imaginar-me daqui a uns tempos comprar cremes paras as rugas, ahahahah :)

Que venham os 27, sempre com espírito de 20, sempre a sorrir, e sempre a lutar.

Beijinhos, 
Carla Salgado

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Quarenta e seis meses depois...

... E eu continuo a sonhar contigo.
Ainda sinto os teus pontapés, ainda me vejo os teus movimentos no monitor das ecos, ainda toco na minha barriga e lembro-me de ti. Quase quatro anos depois, e a saudade aumenta. 
Aprendi a viver com a dor. Aprendi a encarar a vida de outra forma. Aprendi a valorizar. Aprendi sobretudo a amar. Aprendi a viver... Não há nada melhor do que ter a oportunidade de viver. Aproveitar os momentos. Aproveitar as oportunidades que surgem nos nossos caminhos. Aproveitar o melhor que a vida tem para nos dar. 
Não tem sido uma caminha fácil. Tenho lutado com tudo o que tenho para conseguir ter tudo o que tenho. Tenho agarrado com todas as minhas forças todas as oportunidades que a vida me tem dado. Tenho tido força, mas acima de tudo tenho tido fé...
Estes últimos anos têm sido desafiantes, têm me feito crescer tanto mas tanto, têm me feito olhar para a vida de uma forma completamente diferente. Acredito mais no poder do amor. Acredito mais no poder que duas pessoas juntas conseguem ter para enfrentar as maiores adversidades da vida. Quem me conhece, bem, sabe que eu nunca, mas nunca desisti. Posso não ter conseguido tudo o que queria, mas a maior parte conquistei, e não foi fácil. Quem me conhece, bem, sabe que eu passei... eu nem sei se posso dizer a pior coisa que pode acontecer a um ser humano, mas sem dúvida alguma que é a pior coisa que pode acontecer na vida de uma mulher. Perder um filho. Perder um pedaço. E eu perdi, à quarenta e seis meses atrás, perdi basicamente a minha vida toda naquela hospital. E mesmo que o sonho de ser mãe falasse sempre mais alto, e hoje tenho o filho mais lindo, mais inteligente, mais tudo do mundo, eu perdi um, e nunca posso dizer que tenho dois filhos quando me perguntam porque as pessoas nunca vão entender. No fundo, ninguém entende o que é viver com um vazio. 
Acho que nunca disse isto, mas todos os dias olho para o Salvador e imagino que fosse o Francisco, olho para o Salvador a sorrir e imagino quantos sorrisos perdi eu... Mas sabem o que é mais estranho ainda? É olhar para o Salvador e saber que um pedacinho dele está ali, a olhar para mim. Em cada abraço, em cada sorriso, em cada birra... O meu amor é incondicional, como de qualquer outra mãe. O meu amor move montanhas. O meu amor por ele é...inexplicavelmente especial.

Acho que estava a precisar de vir aqui.
Continua a ser o meu lugar preferido.