domingo, 26 de abril de 2020

Estado de espírito: ?

Já se passaram quarenta e seis dias de quarentena. Sim, dei-me ao trabalho de os contar. 
Com eles aprendi muita coisa. Descobri-me. Tomei decisões. Renasci. E ainda não sei quantos mais dias se irão passar. 
Aprendi a viver confinada a determinadas coisas, a determinados sentimentos, e atenção que isto é muito vago, os sentimentos tanto podem ser positivos como negativos. Aprendi a suportar tantos estados de espírito juntos que nem eu própria sabia que existiam. Não sabia que podia acordar bem disposta e adormecer depois de ter tido um ou dois ataques de ansiedade. Não sabia que iria conseguir chorar até adormecer por não suportar ver o meu filho implorar por ver os avós... Não sabia que o medo que senti inicialmente iria dar lugar a uma super proteção mas também a uma consciência mais libertadora. 
Descobri que sou mais forte do que penso. Mas não mais do que aparento. Descobri que o meu ar de menina sorridente para a vida é capaz de chorar por simplesmente não poder entrar no carro e ir às compras com normalidade. Descobri que os meus interesses não são aquilo que penso, e que afinal gosto de coisas que não sabia. Descobri que o meu futuro é incerto e que quero continuar a arriscar até não conseguir mais. Descobri que por mais que eu erre quero voltar a tentar. Descobri-me por inteiro!
As decisões mais difíceis de tomar na vida são aquelas que não queremos tomar nunca. Quando temos demasiado tempo damo-nos ao trabalho e à disposição de pensar nelas e por fim, decidir. 
Renasci por me descobrir. 
Li em alguns posts do facebook desabafos das mães que estão em casa com os filhos e graças a Deus que não me sinto mais a pior mãe do mundo. Apesar do Salvador ter apenas três anos, a personalidade forte dele com a minha torna alguns dias uma total explosão de gritaria, birras e discussões. Porque não podemos dizer que estamos cansadas, fartas e exaustas sem alguém nos dizer que existem pessoas piores do que nós? Temos de agradecer como é óbvio de estarmos bem de saúde, no conforto das nossas casas. Mas então deixamos de ser pessoas normais por isso? A profissão de mãe deixou de ter valor? Ou não temos direito a ficar cansadas? Fartas? Pior, nem sequer temos direito a ter liberdade de expressão por nos queixarmos de um sentimento que inevitavelmente se apodera de nós... É triste que só possamos ver o lado das outras pessoas e não pensar um pouco em nós!
Também faço parte do leque de mães que com esta quarentena começou a fazer comida que nunca fez e a descobrir que até tinha jeito mais alguns pratos. Sou daquelas que fez um bolo por semana no primeiro mês e agora descobri que até gosto de passar trinta minutos do dia a pedalar na minha bicicleta que estava a ganhar pó na minha sala. Mas o pior disto tudo, é o meu medo do que esta quarentena está a fazer ao Salvador... O desinteresse pelas atividades propostas pela educadora, o choro e as birras quando lhe tento "ensinar" alguma coisa. O não perguntar porque não vai à escola, nem perguntar pelos amigos... Tenho medo de, certa forma, estar a errar em alguma coisa como mãe.
E não tenho problemas, nem sequer vergonha de admitir os meus erros e de tanto que fraquejei nestes dias como continuo a ceder em algumas coisas... Cedi ao pedido do meu filho ir ver os avós, e mesmo com restrições nós vamos. Se é um ato correto? Claro que não, tenho plena consciência. Sou fraca? Não! Sou humana, e não foi apenas um pedido que me fez ceder, mas sim o meu próprio estado de espírito e a minha forma de encarar estes dias que acreditem, não estão a ser nada fáceis.
Para terminar este meu desabafo, vou me direccionar às redes sociais, que na minha modéstia opinião tornou-se num poço de ódio e rancor uns com os outros em que os adultos decidiram despejar as frustrações desta quarentena uns nos outros. Por favor, não estou a generalizar, nem a apontar o dedo. Mas que ao menos este isolamento / quarentena / obrigação de, sirva para nos tornarmos pessoas melhores, que mais não seja pessoas que conseguem ler e continuar a subir os conteúdos. 
Ainda não sei quantos mais dias vou continuar por aqui...
Ainda não sei como será o futuro...
Nunca irá ser totalmente normal isso é uma facto!
Não sei se quero continuar como estava antes de tudo isto... 
Mas de uma coisa tenho a certeza, vou sair disto com uma perceção diferente de tanta coisa...

Fiquem bem... Dentro do possível...





















Beijinhos,
Carla Salgado

sábado, 28 de março de 2020

Dúvidas?



A incerteza daquilo que vai acontecer amanhã faz renascer algumas dúvidas que eu tenho em relação a hoje. Esta paragem no tempo ao qual fomos literalmente obrigados a fazer faz-me pensar muito sobre muitas coisas, sobre o futuro, sobretudo sobre aquilo que eu quero na realidade fazer. 
Sinto uma certa necessidade de fazer uma introspeção e perceber muitas coisas, mas sabem quando falta algo para o fazer, ou até mesmo um simples motivo? Aquela sensação de que eu sei o que quero na realidade, mas não sei ao mesmo tempo.
Têm sido duas semanas intensas, entre brincadeiras, "trabalhos de casa" da minha afilhada, atenção ao meu príncipe e uns determinados momentos em que me lembro que existo e que preciso dar um verdadeiro rumo à minha vida. 
Já senti em alguns momentos da minha vida que não sei ao certo aquilo que quero fazer, já fiz tanta coisa, já aprendi tanta coisa e fui sempre tão feliz, em determinados lugares mais do que noutros, mas a minha essência permaneceu sempre e soube ser feliz. Mas nunca me senti 100% realizada. Bem, sim, mas num lugar onde é impossível voltar.
No ano passado, quando tomei a decisão de mudar tudo, decidi que terminar o 12º ano era a minha prioridade, muito mais quando apenas me faltaria uma disciplina para o fazer e depois decidir o que fazer na realidade. Inscrevi-me no centro de emprego com esse propósito, fazer um curso de dupla certificação, mas apenas algo que fizesse sentido na minha vida. E assim surgiu o curso Técnico Auxiliar de Saúde com projeção de emprego para o Hospital de Riba de Ave, uma oportunidade única e que senti que tinha de agarrar. E assim o fiz... E assim o estou a fazer... Mas nestes últimos dias, tenho a sensação que o meu lugar é onde eu sempre estive, a fazer aquilo que eu sempre fiz e que me sinto mesmo bem em fazê-lo, que apenas me faltou as oportunidades certas. Nem sei bem porquê. 
A estética... Existiram dias em que acordei e achei mesmo que não era a minha vocação e não era de todo o que eu deveria fazer, mas no fundo, quando o faço, porque felizmente ainda tenho a oportunidade de, em part time, o fazer, sou tão feliz... E vocação, talento, nada coincide com o ser feliz em fazê-lo! 
Acho que este Covid-19 está a deixar-nos a todos com tempo a mais para pensar... E não quero mais uma vez meter os pés pelas mãos... Tenho em mãos uma oportunidade que tenho de agarrar, mesmo sem saber qual o meu futuro... O futuro a Deus pertence não é? 
Estou naqueles dias que não sei se luto ou desisto... 
Dúvidas Ilustrações, Vetores E Clipart De Stock – (1,134 Stock ...E nunca é tarde para lutar por aquilo que nos faz feliz...

Um desabafo no meu 16º dia de quarentena...



















Carla Salgado
















sábado, 21 de março de 2020

Eles.

Estou sentada ao lado do meu filho, no chão da sala. Eu escrevo, ele vê desenhos animados e assim se passa o nono dia de quarentena...
O mais importante não é o que estamos, o que vamos fazer, o importante é com quem, valorizar o prioritário, valorizar as pessoas que estão do nosso lado, que nos fazem bem, que nos fazem felizes.
Hoje é apenas mais um dia do ano dois mil e vinte, certamente o primeiro dia para muita gente, o último para uns outros tantos, mas não deixa de ser um dia ou o dia de podermos fazer alguma coisa diferente, ou a diferença na vida de alguém. É mais um dia em que podemos ser melhores!
O pensamento ofuscante que me percorre nos últimos tempos tem me feito perceber muitas coisas, sobretudo daquilo que é certo e errado, daquilo que faço bem ou não! Tenho atitudes incorretas com as pessoas certas e atitudes corretas com pessoas incertas. Um eufemismo ou não daquilo que as se vai entender! 

Os dias passam a voar, nas rotinas percebemos o tempo que perdemos em não dar tempo ao que realmente importa. Mas será que sabemos ao certo o que realmente importa na nossa vida? Sabemos claro que as pessoas que vivem dentro de nossa casa, a nossa família vale a pena, que com eles temos e devemos "perder tempo", mas a rotina não se divide apenas entre quatro paredes, no nosso dia a dia lidamos com tantas pessoas que não sabemos se essa perca de tempo é relevante ou não. Mas no final pensamos, porque perdemos tempo sequer a pensar nisso? Não sei.
Sabem o que sei? Que eles fazem sentido na minha vida e me fazem perceber que vale a pena perder tempo. O meu tempo são eles. Eles são o meu tempo e a minha vida. E a eles dedico tudo...

Eles.
Os meus homens, os amores da minha vida.

 Carla Salgado

sexta-feira, 20 de março de 2020

Quarentena ou pior do que isso?



Começo a acreditar que em tempos de desespero chego ao meu destino, aqui, o meu lugar favorito, quiçá o único que ainda me deixa ser eu por inteira. 
O meu último post aqui foi em Julho do ano passado. Em tempos a minha vinda para aqui era frequente, diária, até mais do que uma vez por dia. Agora desleixei-me, ainda que a coisa que eu mais goste de fazer seja escrever, os papéis perdidos cá por casa já são muitos. 

Estou à oito dias em quarentena pelos motivos que todo o planeta sabe e não preciso de, mais uma vez, os referir vezes sem conta. No entanto, oito dias parecem poucos para aqueles que eu sei que me esperam pela frente. 
Ainda não tenho uma opinião bem formada sobre este assunto, sobre se foi um "acidente" na China, se foi uma vingança dos EUA, ou feita em laboratório, mas de uma coisa tenho a certeza, este vírus, esta pandemia, esta calamidade que está a roubar tantas vidas é a forma como vamos olhar para o futuro com uma perspectiva diferente, a segunda oportunidade que a vida nos está a dar de sermos mais e melhores, a oportunidade de preservarmos aquilo que é nosso e darmos mais valor à vida, às pessoas e não às coisas que não fazem falta nenhuma.

Resultado de imagem para covid 19

Nos últimos tempos tenho me apercebido que cada dia que passa as pessoas se tornam mais materialistas e "umbiguistas", que o poder e o querer ter é muito superior ao dar. E o dar chega um simples abraço, ou dar uma palavra que nos conforte. Dar deixou de ser sentimental e passou ao sentimento de posse, eu não te dou atenção mas dou-te um presente como recompensa. 
Estou à oito dias de quarentena e já vi tanta coisa... A vida está a ensinar-nos a viver de novo, a vida está a abrir-nos um caminho desconhecido. Não é maravilhoso como o planeta está a reagir a este momento? A esta paragem? Não estou imune a acordar amanhã e ser enfrentada com o Covid-19! Tu não estás imune amanhã e ver alguém próximo morrer por isso. Nós não estamos sequer numa bolha em somos imunes ao que se passa à nossa volta. Por isso hoje, somos todos iguais, temos todos o mesmo medo, o mesmo poder...

Quarentena ou pior do que isso?
Vou confessar que estou a entrar em desespero e hoje fraquejei, há dias assim não é? Não temos forças para aguentar todos os dias, também temos de saber lidar com a fraqueza.

Agora, protejam-se, vai tudo ficar bem.


Carla Salgado

terça-feira, 23 de julho de 2019

Sentimentos confusos

Hoje sem saber como cheguei aqui...
Estou a admirar o meu filho que está à mais de meia hora no pote a tentar fazer as necessidades pela primeira vez. O desfralde... Quem é mãe vai entender que esta fase é tão difícil. É certo que nem todas as crianças são iguais, umas deixam a fralda mais rápido do que outras, dizem que os meninos demoram mais, enfim, o Salvador está a dar-me luta, na escola já deixou a 100%, em casa... É melhor nem comentar.
Mas não vim aqui falar do desfralde do Salvador, nem no quão difícil está a ser educá-lo nesta fase, nem nas birras, nem nesta adolescência dos dois anos como lhe chamam. Não sou psicóloga, não sou experiente, sou apenas mãe, que dia após dia acorda e não sabe como reagir a cada coisa nova que ele faz. Mas melhor do que isto? Não há.
Podia voltar a falar do meu primeiro bebé, e deste sentimento tão apertadinho de que já passaram cinco anos... Não consigo acreditar, não consigo sequer pensar nisto da mesma forma.
Hoje vim aqui sem saber, é verdade, cheguei, comecei por ler alguns textos e lá estava eu a ler os meus primeiros textos após a perda, os comentários e bloqueei... Mais uma vez. 
Estou numa fase da minha vida que não consigo entender os meus sentimentos, apesar de me sentir feliz e um tanto ao quanto realizada, há aqui um pedaço dentro de mim que não está preenchido e me faz querer algo mais...  O quê? Não faço ideia. Este remoer de sentimentos mistos, em que eu não sei se choro ou se rio faz-me pensar em tanta coisa...
Pensar faz bem, mas pensar em demasia só pode voltar a despertar aquilo que eu não quero...
O tempo passa demasiado rápido. 

Há coisas e momentos que não voltam.
Mas de uma coisa eu tenho a certeza. Tudo isto não é por acaso. Cada dia, cada vivência, cada pessoa nova que entra, e essencialmente cada pessoa que vai desaparecendo da nossa vida, não é por acaso. E ainda bem que as coisas são assim. Ainda bem que a vida me tem ensinado tanto, e no fundo me tem dado mais ainda.


sexta-feira, 17 de maio de 2019

58 meses...

As mudanças na minha vida continuam a acontecer, e de certa forma vão continuar enquanto eu me proposer a isso... Mas nos ultimos dias, com todas as mudanças, há um tema na minha vida que começa a surgir em discussão. E passados estes meses, anos todos, hoje volto a não me sentir preparada para falar disso.
Houve uma determinada altura da minha vida que me senti completamente exposta a isto, e falei, falei muito, mas agora, está tudo novamente bloqueado.


Tem sido uns dias em que penso tanto em ti meu amor.
Tenho aquela sensação que sempre pedi que não acontecesse, aquela que mais ninguém se lembra que exististe, mesmo que tenha sido por uns miseros meses. Sabes que a ver o mano crescer penso que podias ter sido assim, lindo, sorridente, bem disposto, perfeito aos meus olhos. Mas sabes que sempre acreditei que nele tem um pouco de ti. Aquela parte que quando me olha bem dentro do meu ser, sabe abraçar-me inocentemente como se soubesse que uma parte de mim continua desfeita em mil pedaços. Aquela parte que me idolatra e não vive sem mim. Mas ele não és tu, e tu, é quem mais me custa viver sem.
És a estrela mais linda do céu.
Meu amor, minha vida.
Cada vez consigo menos expressar as saudades que eu tenho tuas...
Já passaram 58 meses, dá para acreditar? 


sábado, 13 de abril de 2019

Acreditar...

Este é o primeiro de 2019, quiçá o único. 
Tenho vindo cá algumas vezes ler algumas postagens anteriores. Relembrar. Chorar. Mas sobretudo acreditar que o que eu sempre esperei está para chegar. 
Não têm sido tempos fáceis na verdade, mesmo que a maioria das minhas decisões tenham sido arriscadas, quero sempre acreditar que foram as certas. Alguém me disse que eu com toda a força que tenho conseguia tudo aquilo que queria. A seu tempo, mas conseguia. O que é um facto é que as coisas vão surgindo aos poucos. O Fábio diz-me TODOS OS DIAS que eu meto os pés pelas mãos porque quero fazer tudo ao mesmo tempo. E eu sempre lhe dei ouvidos, mesmo quando achava que ele só me dava aqueles conselhos porque simplesmente me queria "fechada" em casa. Mas também me disse SEMPRE que eu merecia melhor, que só tinha de esperar. Enquanto espero as coisas ficam complicadas, temos de fazer alguns sacrifícios, mas a verdade é que elas vão aparecendo. E eu quero acreditar que agora sim, começa uma era de mudança.

Nem sei porque cheguei aqui e decidi escrever. É das coisas que mais gosto de fazer, mas há dias que parece que nem sei soletrar uma palavra ou sequer escrever o que quer que seja. Acho que este julgamento em praça publica que as pessoas hoje em dia fazem constantemente não ajuda muito. Se pararmos para pensar, hoje há mais pessoas a criticar do que a encorajar. E porque será? A frase banal "não tem mais que fazer" não se enquadra muito, mas se calhar o "não consegue fazer/ser igual" será muito mais apropriada. 

Dedico 100% do meu tempo à minha família, enquanto isso fui-me desviando das pessoas, alguns amigos, mas nunca me arrependi, sabem porquê? Os amigos são muito importantes, mas a família é quem está connosco em todos os momentos da nossa vida. Sim, existem excepções, mas também se perguntarmos a definição de família a toda a gente, a resposta nunca será igual. A minha é especial, pequena, ainda em construção (acho eu :) ) mas muito especial.


Contudo(...)
Não consigo finalizar este texto com alguma despedida ou alguma frase incentivadora. 
Sejam felizes.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Saudade...

Já sentia saudades disto. Acho que chego a um determinado ponto que toda a minha força me puxa para aqui. Leio tantas vezes os meus textos, e sabem que com o passar do tempo eles fazem ainda mais sentido na minha vida. Muitos deles só eu entendo e só eu sei para quem são direccionados. Bem, eu e quem me conhece mesmo muito bem entende. Dá até uma certa nostalgia ler certas coisas do passado. Antes do Francisco. O meu ano em França, os meus amigos lá, a vida que eu aproveitei ao máximo. A gravidez do Francisco, que foi tão boa. Depois veio o pesadelo, e o ano 2014 vai ser sempre um ano marcado pelas coisas más, porque por muito que eu me esforce não consigo encontrar algo positivo. Mas hoje consigo dizer que fez parte da minha vida, mas sobretudo faz parte da vida. Foi sem sombra de dúvidas o ano em que eu mais aprendi. Depois veio 2015 e com ele o recomeço da vida, o começar do zero, que com muito muito sacrifício lá conseguimos levar tudo em frente. O salvador surgiu em 2016, e esse sim, foi o meu, o nosso ano, o ano da vitória, da conquista, mas acima de tudo o ano da luta. Agora, 2018 está a pouco mais de dois meses de terminar e posso dizer que foi o ano da mudança, em todos os aspectos. Um ano que me trouxe tanta coisa boa, mas que também me fez ver o mundo de maneira diferente. Demorei algum tempo a perceber que as pessoas por muito que nós sintamos muito afecto, muito carinho não podem fazer parte da minha vida.
Tenho saudades.
De muitas coisas, de muitas pessoas. E sabem, por muito realizada que eu me possa sentir hoje, falta-me sempre alguma coisa. 
Daqui a dois dias é o aniversário do Salvador, e ele decidiu ficar doente, mais uma vez. Quem é mãe vai perceber, esta semana é de pouco descanso e muito pormenor para a festa. Queremos dar tudo aos nossos filhos, literalmente.



Beijinhos,
Carla Salgado

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Obrigada.

Hoje decidi que era dia de agradecer.
Agradecer simplesmente pela dádiva da vida, de poder acordar todos os dias e continuar a viver, poder sorrir, ter saúde para trabalhar, ter forças para lutar. Agradecer por todo o meu percurso nesta vida, que ainda curta, me ensinou que as pessoas revelam se com o tempo. Agradecer por ser mulher, esposa e mãe. Agradecer por continuar a conhecer pessoas que me preenchem o coração. Agradecer pelas pessoas que foram e não voltaram, pelas que voltaram e pelas que ainda vou ter a oportunidade de conhecer. Agradecer por poder ter na minha vida pessoas tão boas, que nos bons e nos maus momentos me dão a mão e me ajudam a caminhar. Agradecer por aprender cada vez mais com os amigos que aos poucos saem da nossa vida, ainda que sem a nossa permissão, mas com vontade própria, que não olham para o passado e agradecem, tal como eu. Agradecer a toda a gente que esteve, que está e que sei que estará sempre na minha vida. Agradecer aos novos amigos que me fazem muito feliz, que completam ainda mais a minha vida, mas essencialmente a minha casa e a minha família.
Agradecer a Deus.
Agradecer aos astros.
Agradecer a mim, que encontro sempre a minha paz interior, e o meu sorriso.



Beijos ❣️

quarta-feira, 6 de junho de 2018

:)

Por uns instantes gostava de ter o poder da transmissão de pensamentos. O dom da palavra. O poder da atitude, mas sobretudo a coragem de agir. 
O coração diz uma coisa, a razão outra. O corpo quer agir de uma forma, mas a postura tem de se manter. A verdade é dura, mas as pessoas insistem em viver na mentira. Se o olhar fala-se dizia tanta coisa que não pode sair do coração. Se o sorriso mostrasse realmente o verdadeiro significado, tudo começaria a ser diferente. Aos poucos é como se uma concha perdida na praia começasse a abrir do nada. A viver do nada. A sorrir do nada. E a amar do nada.

"...But I'm in so deep
You know I'm such a fool for you"

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O tempo sabes que não volta atrás.

O tempo está a acabar e ela não conseguiu dizer aquilo que sentiu no primeiro minuto em que o viu. O tempo passou e não conseguiram trocar uma única palavra sobre tudo aquilo que se estava a passar. No ar continua a incógnita. Mas no coração vai permanecer a expectativa de tudo aquilo que poderia ter acontecido. 
O tempo está a acabar e com ele vai levar tudo aquilo que não viveram. Por medo. Ou porque simplesmente era proibido... Vai ficar sempre a sensação de que deviam ter feito mais, falado mais, os sorrisos deviam ter-se juntado num uníssono perfeito, assim como outros sons.
O tempo vai acabar, e "nós" também...


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Salvador *

Meu amor,
daqui a uns anos vou apresentar-te esta página. Vou dar-te a conhecer o passado dos papás, e de certa forma saberes melhor por tudo o que passamos para estares connosco hoje.
O tempo passa a voar, e com ele leva cada vez mais um bocadinho de tempo. Tempo esse que por vezes perdemos com aqueles pequenos momentos menos bons entre os pais e os filhos. As palmadas, os sermões, os "não faças isso", "pára quieto", as birras, ai, as intermináveis birras, nunca pensei que fossem tão difíceis de ultrapassar. Só hoje me vi a ser firme, pulso forte e manter sempre a postura de mãe que não pode deixar passar uma birra em vão. Nunca pensei que era tão difícil ser mãe, só hoje.
Os primeiros meses são muito difíceis, estamos a aprender, estamos a conhecermos-nos e é preciso ter uma personalidade forte para aguentar muita coisa. Aquelas noites sem dormir, porque depois da segunda já se torna um sufoco.
Sabes, até aos teus três mesinhos, foi tudo muito sereno, nunca foste um bebé chorão, nunca deste muito trabalho, passei por uma má fase para me chegar a ti, mas não me posso queixar um minuto que seja de noites mal dormidas, dias mal passados, não, nada. Eras muito comilão sim, acordava muito para comeres, mas nada mais do que isso. Quando foste internado, para mim foi como me terem espetado uma faca no coração e eu ter de viver todos os dias com ela ali dentro. Foi dos piores dias da minha vida. Ver-te deitado numa cama de hospital. Com a máquina de oxigénio... Tão pequenino. Tão frágil. Os cinco dias mais longos da minha vida. Mas tu foste sempre tão forte, e deste-me mais força a mim do que eu a ti. Foi aí que começaram as noites mal dormidas, um espirro era uma preocupação. Bastou a primeira bronquiolite para virem mais quatro depois dessa. Aí sim, soube o verdadeiro significado de coração nas mãos. Mas tu, sempre firme, sempre a sorrir, sempre a ser o Salvador que toda a gente conhece. És muito especial sabes, e não digo isto por seres meu filho, digo isto por seres o menino que és, por teres a força que tens, por seres tão grande e ainda tão pequenino. Eu vejo o tempo a voar e só queria que ele parasse por um bocadinho que fosse para tu não cresceres mais. 
Eu vou estar sempre presente em todas as etapas da tua vida. Vou chorar e rir contigo, vou abraçar-te sempre que tiveres medo, vou mimar-te nos momentos certos, e ralhar-te quando mereceres. Vou ser tua mãe, tua amiga.
És o melhor que me podia ter acontecido.
És a minha luz, a minha vida.
Não há maneira de dizer o quão eu gosto de ti, amo-te nunca será suficiente para o demonstrar.

Eu e o papá amamos-te muito, e vamos estar sempre do teu lado, PARA SEMPRE *

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Homem força *

Há alturas na nossa vida em que a razão está acima do coração. Assim como o inverso. Há momentos em que temos tanta necessidade de desistir de tudo porque achamos que a nossa luta é em vão. Há dias que nos sentimos sozinhos, e por mais que procuremos pessoas ao nosso redor, nada nos consegue preencher aquele vazio, aquela solidão. Há pessoas que entram na nossa vida, marcam e desaparecem. Há pessoas que entram, ficam, e apesar do nosso caminho seguir por estradas diferentes, uma mensagem ou um telefonema diz-nos "eu estou aqui". E por fim, existem aquelas pessoas que entram na nossa vida, permanecem, e por mais pontapés que levem (nem sempre para sair) elas ficam, mostram que o lugar delas é do nosso lado, independentemente de todos os obstáculos, de todas as pedras que nos aparecem na caminhada da vida.
E tu és um dessas pessoas. Arrisco-me a dizer que és a única pessoa que entrou na minha vida decididamente para ficar. Às vezes pergunto-me como consegues aguentar tudo. Não sou fácil, nada, e a vida transformou-me numa pessoa completamente diferente daquela que conheceste à onze anos atrás. Já estive no fundo do poço e tu sempre me deste a mão, já cai muitas vezes e tu seguravas-me, já fraquejei, já desisti de nós, já tive pensamentos obstantes ao nosso futuro, e tu mostraste-me sempre qual era o caminho certo que eu deveria seguir. E esse caminho é sempre do teu lado. 
Não temos uma relação fácil, nada mesmo, mas não podemos negar que em todas as adversidades da nossa vida sempre nos apoiamos muito, sempre demos as mãos e conseguimos combater tudo. E vencemos sempre. Tu tens a força, eu tenho a inteligência. Sempre foi assim que nos identificamos. Sempre foi assim que vencemos. 
Nunca acreditei no amor eterno, muito menos em finais felizes. Mas há sentimentos que definitivamente são para sempre, independentemente do caminho que possamos levar no futuro, serás sempre, sempre o homem da minha vida, a única pessoa capaz de me amar e odiar ao mesmo tempo. Sim, porque eu não sei como nunca perdeste a cabeça com o meu mau feitio, com as minhas palavras duras.
Obrigada.
Obrigada por estares do meu lado em todas as minhas decisões, mesmo quando não concordas. Obrigada por lutares por mim, por nós. Obrigada pelo filho maravilhoso que me deste, pela família especial que estamos a criar. Obrigada por fazeres tudo por nos dares uma vida serena, e em paz. Obrigada por existires. Obrigada por me amares incondicionalmente. 
És o homem da minha vida.
Amo-te homem força 




terça-feira, 22 de maio de 2018

*

 Acho que se torna praxe vir escrever um dia antes do meu aniversário. Costumo fazer uma espécie de retrospectiva, mas este ano não estou para aí virada.
Cada ano é diferente, é um facto. Cada ano tenho uma nova história para contar. Não fosse eu um passarinho que gosta de voar e pousar de vez em quando num lugar e deixar marca (quem me conhece vai perceber o que eu quero dizer). Estou em constante mudança, também é um facto, e de cada vez que esta surge, eu digo a mim mesma que vou lutar pelo que quero verdadeiramente. Mas desisto. Porque tenho um filho e tenho medo que algo lhe falte, vou pelo caminho mais fácil. Porque tenho uma casa e gosto que nada falte em casa, vou pelo caminho mais fácil. Porque não sei o que me espera, vou pelo caminho mais fácil. Porque tenho medo, vou pelo caminho mais fácil. E assim desisto dos meus sonhos, dos meus objectivos para poder ter uma vida...mais fácil. Mas a vida tem me ensinado MUITA coisa. E apesar de já ter vindo a ensinar à algum tempo que eu não posso desistir de nada, a verdade é que só agora tive aquele click de acreditar que sou capaz de lutar pelo que quero. Ensinou-me sobretudo que eu consigo tudo o que quero, se fizer por isso, se lutar por isso, se der tudo de mim para conquistar tudo. Acho que já tive provas suficientes disso.
E então, 2018 é o ano dos objectivos finalmente cumpridos.
Agora, vou confessar que começo a ficar assustada ao ver os anos passar, a vida a passar, e tudo muda. Quando somos crianças queremos muito ser adultos, mas nunca paramos para pensar em como as coisas mudam. Observava muitas vezes os meus pais e desejava aquilo, ser grande, casar, ter filhos, e ser feliz. O que não é de todo verdade. Os meus pais em algum momento da vida de casados foram felizes, quero acreditar que sim, mas a verdade é que não houve o para sempre. Ser mãe sempre foi um sonho, sempre sempre, e achava eu que era a melhor coisa do mundo (e é, atenção!), e apesar de toda a gente nos avisar, a verdade é que não estamos preparados para as noites sem dormir, para os choros desentendidos, para as birras sem motivo, para a primeira ida à urgência, para o primeiro internamento, para a primeira queda... Bem, poderia ficar aqui a noite toda a dizer que no fundo, eu não estava preparada para nada disso. Casar, ai casar, que nas novelas é sempre maravilhoso, nos casais que vemos na rua, nos nossos pais, nos nossos irmãos, mas também não nos dizem da quantidade de vezes que vamos fazer as malas para sair de casa (acreditem que fiz algumas vezes), nas discussões absurdas, até mesmo nas discussões que voam pratos (no meu caso são saladeiras). Não estamos preparados para nada na nossa vida adulta.
Mas depois, crescemos.
O casamento é uma magia quando vivida com amizade, eu acredito que a base fundamental do meu casamento é a amizade que nos une à tantos anos. Os filhos, que são a melhor coisa do mundo, independentemente do que eu tenha passado não estou minimamente arrependida de ter sido mãe, às vezes acho que já o deveria ter sido à mais tempo. E passar os anos...A vida muda tanto, mas tanto...Sabem aqueles momentos em que querem lembrar-se de algumas recordações de infância e não conseguem? Começo a passar por isso... Começo a imaginar-me daqui a uns tempos comprar cremes paras as rugas, ahahahah :)

Que venham os 27, sempre com espírito de 20, sempre a sorrir, e sempre a lutar.

Beijinhos, 
Carla Salgado

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Quarenta e seis meses depois...

... E eu continuo a sonhar contigo.
Ainda sinto os teus pontapés, ainda me vejo os teus movimentos no monitor das ecos, ainda toco na minha barriga e lembro-me de ti. Quase quatro anos depois, e a saudade aumenta. 
Aprendi a viver com a dor. Aprendi a encarar a vida de outra forma. Aprendi a valorizar. Aprendi sobretudo a amar. Aprendi a viver... Não há nada melhor do que ter a oportunidade de viver. Aproveitar os momentos. Aproveitar as oportunidades que surgem nos nossos caminhos. Aproveitar o melhor que a vida tem para nos dar. 
Não tem sido uma caminha fácil. Tenho lutado com tudo o que tenho para conseguir ter tudo o que tenho. Tenho agarrado com todas as minhas forças todas as oportunidades que a vida me tem dado. Tenho tido força, mas acima de tudo tenho tido fé...
Estes últimos anos têm sido desafiantes, têm me feito crescer tanto mas tanto, têm me feito olhar para a vida de uma forma completamente diferente. Acredito mais no poder do amor. Acredito mais no poder que duas pessoas juntas conseguem ter para enfrentar as maiores adversidades da vida. Quem me conhece, bem, sabe que eu nunca, mas nunca desisti. Posso não ter conseguido tudo o que queria, mas a maior parte conquistei, e não foi fácil. Quem me conhece, bem, sabe que eu passei... eu nem sei se posso dizer a pior coisa que pode acontecer a um ser humano, mas sem dúvida alguma que é a pior coisa que pode acontecer na vida de uma mulher. Perder um filho. Perder um pedaço. E eu perdi, à quarenta e seis meses atrás, perdi basicamente a minha vida toda naquela hospital. E mesmo que o sonho de ser mãe falasse sempre mais alto, e hoje tenho o filho mais lindo, mais inteligente, mais tudo do mundo, eu perdi um, e nunca posso dizer que tenho dois filhos quando me perguntam porque as pessoas nunca vão entender. No fundo, ninguém entende o que é viver com um vazio. 
Acho que nunca disse isto, mas todos os dias olho para o Salvador e imagino que fosse o Francisco, olho para o Salvador a sorrir e imagino quantos sorrisos perdi eu... Mas sabem o que é mais estranho ainda? É olhar para o Salvador e saber que um pedacinho dele está ali, a olhar para mim. Em cada abraço, em cada sorriso, em cada birra... O meu amor é incondicional, como de qualquer outra mãe. O meu amor move montanhas. O meu amor por ele é...inexplicavelmente especial.

Acho que estava a precisar de vir aqui.
Continua a ser o meu lugar preferido.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Borboletas na barriga *

Há várias formas de expressar, e o silêncio remete-se a um determinado sentimento. Bom. Mau. Sentir uma certa diversidade de palpitações, quando o coração começa a acelerar de cada vez que um olhar surge entre paredes outrora desconhecidas. Há uma melodia que toca, quando na voz se profere palavras, nem sempre aquelas que queremos ouvir. Há um caminho, um suspiro, um fechar de olhos, e a espera de que aquilo não seja em vão. Há a ansiedade que as horas passem e o momento em que a chegada seja transportada para um lugar diferente.
O destino chegou no momento certo, e não é por acaso que o caminho seja trilhado, traçado, e essencialmente cruzado por duas pessoas... Na diferença encontramos o uníssono perfeito. Tu, tu e apenas tu. E nesta caminhada, ainda prematura queres respostas daquilo que constróis dentro de ti. A esperança da felicidade constante. O medo da desilusão.
Ainda assim, o tom da tua voz, é a única coisa que quero ouvir antes de pegar no sono e sonhar contigo. 



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Três anos depois...

...
e o meu sentimento continua aqui. Três anos depois e ainda sinto o cheiro do quarto, ainda ouço o silêncio do CTG! Três anos depois e ainda te sinto dentro de mim. 
É quando tudo se começa a desmoronar que eu te procuro, não é egoísmo, muito menos hipocrisia, é esperança de encontrar sempre na ausência da tua presença o conforto que eu não consigo encontrar aqui. Sei que estás aí, sei que me continuas a proteger dia após dia, sinto-te... Mas não consigo ainda combater a dor. A dor apodera-se do meu peito várias vezes ao dia, mas solto um sorriso, porque os sorrisos vão sempre ajudar-me a lembrar que tu exististe. Sorrio porque a vida é mais poderosa do que a dor que se apodera. Simplesmente sorrio, por ti, para ti, por nós, e pela luta que eu sei que será sempre minha.  Já passaram três anos, parece tanto e é ainda tão pouco. Uma vida renasceu, e eu prometi que daria todo o meu amor por ele, e assim o faço. O teu mano é  o menino mais amado do mundo, o menino mais feliz, e nunca mesmo nunca deixarei que lhe falte um sorriso na cara. Todo aquele amor que eu fui privada de te dar, transbordo-o para o mano. É tão estúpido dizer isto, fico sempre com a sensação de egoismo, mas não é... 
Meu amor,
há dias que o tempo ajuda-me a viver com mais serenidade, há dias que tudo parece tão fácil, que um simples vai ficar tudo bem ajuda tanto, mas hoje não é de todo um desses dias, e não sei se o facto de ultimamente as coisas andarem não tão fáceis como habitualmente está ajudar! Mas a verdade é que hoje, tenho saudades tuas, hoje o dia era para ti também. Levar o mano à escola, mesmo doentinho, por ser dia do pijama, ver os meninos felizes a brincarem deixa-me a pensar que hoje, também era um dia para tu estares feliz, para tu brincares... e a vida privou-nos disso.
Morro de saudades tuas todos os dias. E ver o teu mano crescer faz-me acreditar que tu estás ali. Ele vai ter sempre um bocadinho de ti. Conforta-me tanto o coração sentir todos os dias a tua presença nos sorrisos dele, nos abraços, quando ele vem a correr nos meus braços, conforta-me saber que tu estás aqui, comigo, para sempre.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Isto são fases...

É aquilo que eu mais meto na cabeça, que vivo por fases. Sou uma inconstante, com proporções fortes de não saber aquilo que quero. Há momentos que rio de tudo, e choro do nada. É verdade que o tempo está a passar tão, mas tão rápido que eu nem dou conta. Tem sido bom, e realmente vir aqui e ler os meus textos não me faz assim tão mal como eu pensava... Eu disse que ia conseguir não disse? Eu disse que o tempo me ia ajudar, eu ia aprender a viver com a dor.
Ultimamente tem sido tema das nossas conversas. Conhecer e conviver com pessoas novas tem destas coisas, e por mais que eu tente, eu não vou, nem posso esconder que na verdade eu tenho dois filhos. Há uma história tão desgastante por trás deste sorriso, que todos os dias acordo e fico ainda mais feliz por mim, por saber que consegui, que lutei, que me esforcei e moldei o meu sub consciente àquilo que eu queria...
Recuando uns anos atrás, vejo-me numa outra pessoa, num outro ser, como é que o ser humano tem a capacidade de mudar tanto?

Mas há coisas que deixa saudades...

Meu amor,
são três anos sem ti... há dias que penso que toda a gente te esqueceu, há este vazio que eu por mais anos que passe não consigo preencher, há a mágoa por não ter sido capaz, e há a saudade, aquela saudade que eu nunca mais na minha vida vou conseguir apagar... Há também as recordações, que vivem diariamente na minha memória. Fazes parte da minha história, fazes parte da minha vida, fazes parte de mim. Prometi dar-te um mano, e fiz-lo, e só eu e tu sabemos o que eu lutei e sofri para que isso acontecesse.
Obrigada por estares comigo, meu anjo da guarda, de que outra forma teria eu força para aguentar tudo aquilo que a vida me dá?

Amo-te muito.
Para sempre.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Retrospectiva, 25 anos.

Isto é como na passagem de ano, fazemos uma retrospectiva do ano, eu decidi fazer uma retrospectiva da curta vida pela qual passei, e ainda estou a passar. 
Quando somos adolescentes, estamos sempre ansiosos para chegar aos 18 anos, queremos ser adultos, fazer o que queremos, quando queremos sem os nossos pais nos dizer nada. A verdade é que não muda rigorosamente nada, e eu, essencialmente fui um tanto ao quanto privada disso. Depois vamos crescendo, vamos fazendo as asneiras próprias da idade e pumba, casamos e temos filhos.
E agora estou a poucas horas de fazer vinte e seis... Vinte e seis... Confesso que me custa a acreditar, faltam apenas quatro anos para os trinta! Fico em choque, já viram como a vida passa a correr? Como o meu principe, que ainda ontem nasceu e daqui a quatro dias ja faz sete meses. Isto passa tudo a correr. E sabem que mais? Não aproveitamos nada de útil nesta vida. Passei por um turbilhão de coisas, fui obrigada a crescer um pouco à força, mas estou muito feliz com aquilo que tenho, e com aquilo que ao longo dos dias vou conquistando. Passaram vinte e cinco anos, e com eles levou muitos muitos sorrisos, algumas lágrimas, porque quero acreditar que sorri muito mais do que aquilo que chorei, leva muito amor, muitas amizades que pensava que  nunca teria fim... Mas também me trouxe, ainda mais amor, amizades que me aqueceram muito o coração, e o melhor da minha vida, o meu menino, a luz da minha vida, a razão pela qual luto todos os dias com afinco.

Sou uma mulher, apaixonada, amada quase realizada (porque ainda não desisti totalmente dos meus sonhos), e muito muito feliz.



Beijinhos,
Carla Salgado

sábado, 20 de maio de 2017

Mais uma estrelinha...

... mais uma mãe a sofrer... Esta vida é tão injusta. Para nós mulheres é impensável que estas coisas nos aconteçam. No inicio de uma gravidez idealizamos tantos projectos, um futuro melhor e com ainda mais amor. Mesmo para quem já tem filhos e mais um está a caminho, é sempre o iniciar de um sonho, o amor duplica-se e transforma-nos ainda mais em mulheres. 
Mas depois existem as encruzilhadas da vida, as nuvens negras, e coisas más acontecem! A verdade é que esta semana recebi a triste noticia de que mais um anjinho voou para as mãos de Deus, deixando uma mãe devastada. Confesso que me custa um pouco escrever sobre isto, foi como lembrar de tudo e sentir coisas que por uns tempos esteve guardado. Aprendemos a viver com esta dor, há como que um flash no dia a dia mas a força e a vontade de continuar a lutar faz-nos guardar esses sentimentos numa caixinha, e apenas ir lá de vez em quando, quando o coração não aguenta mais com a saudade. Porque existe a saudade. 
Para quem me conhece sabe que não interessa se o anjinho partiu as 5, 10, 20, 30 ou 40 semanas, filho é filho, dor é dor, e não há pior dor do que aquela que a mãe sente quando perde um filho...

Para a mamã H, só tenho a dizer, és uma grande mulher, e apesar de te conhecer à relativamente pouco tempo e a primeira impressão não ter sido a melhor sei a excelente pessoa que és, a grande mulher  e boa mãe. O teu anjinho vais estar sempre a olhar por ti, e esta nuvem vai passar, vai dar-te força sempre para nunca desistires de nada, muito menos de voltar a tentar... DEUS DÁ GRANDES BATALHAS A GRANDES GUERREIROS.

Ao meu filho, Francisquinho, recebe junto de ti mais um anjinho, que partiu cedo demais... Morro de saudades tuas meu amor. Meu amor eterno. Para sempre.