sexta-feira, 22 de março de 2013

Desabafo #3

Foram marcadas pela presença uma da outra, os momentos de cumplicidade eram de tal forma intensos que jamais se imaginariam uma sem a outra... Temiam em desabafar perante outras pessoas pois a vida parecia existir simplesmente no meio daquela amizade. Tudo era perfeito, estavam sempre juntas, presentiavam cada  dia importante, as datas eram significativas, aniversários, natais, as férias de verão tornavam-se mais quentes a cada gargalhada e cada flash da máquina fotográfia. As aulas eram marcadas pelos mesmos motivos, pelas gargalhadas que partilhavam e os lanches repentinos e escondidos. Andavam sempre juntas, para qualquer lugar, eram eternas apaixonadas e até isso conseguiam partilhar, pois sentiam praticamente as mesmas coisas, e no fundo conseguiam saber o que cada uma estava a pensar apenas com o olhar.
Era mágico e ao mesmo tempo tempo invejado, porque como qualquer outra amizade perfeita era visto aos olhares de outras pessoas como ameaças, mas no fundo tinham pena dessas pessoas, e sabem porquê? Porque queriam sentir e possuir tal sentimento.


Mas como tudo o que é perfeito tem um fim, nada nesta vida é duradouro, e a distância e as palavras mal interpretadas tomam conta de tudo aquilo que nasce para dar certo. Várias vezes ouvi dizer que o que é verdadeiro volta, mas à muito deixei de acreditar nisso, mesmo os sentimentos mais verdadeiros tem os seus altos e baixos, mesmo o que é verdadeiro por vezes precisa de passar por provas de fogo que no fundo nos destroem por dentro.

Hoje, quero acreditar que tudo foi verdadeiro, no fundo ainda me custa acreditar em certas palavras, em certas pessoas, de tal modo fui magoada. Não me importo de pensarem que fui eu que destrui e que sou a pessoa mais falsa, mais egoista à face da terra, não tenho de provar nada a ninguém, cada um caracteriza as pessoas como bem entende, quem nos conhece verdadeiramente sabe aquilo que somos e o imenso valor que podemos ter.

Espero que tudo fique bem.

Beijinhos, 
Carla Salgado

quinta-feira, 21 de março de 2013

Último capítulo!

Finalmente consegui acabar de ler o livro "Queimada Viva". Desta vez foi um pouco mais penoso do que em 2007, quando o li a primeira vez. Realmente tinha razão quando disse que a minha critica seria mais construtiva do que fora anteriormente, apesar de conseguir ter a maior parte da história na cabeça e não a conseguir escrever.
Espero também não vos dar uma seca com estes post's a falar dos livros que leio, ler e falar sobre estas histórias é algo que me deixa de certa forma feliz.

(...)
Souad tinha dezassete anos, era uma menina como tantas outras mulheres habitantes na Cisjordânia, que vivia na escravidão implicada pelos homens, as leis eram ditadas por eles, ao que as mulheres não podiam/podem sequer olhar para um homem, muito menos apaixonar-se, e em casos mais graves fazer amor antes do casamento. Aliás era uma tradição das famílias em que as mulheres na manhã do dia seguinte ao casamento, colocassem na "varanda" o lençol branco com o sangue da noiva para que toda a aldeia soubesse que esta era virgem. O que não foi o caso da pequena Souad, que com toda a adolescência sofrida a trabalhar no campo, apaixonou-se por Faiez, um homem que vivia do outro lado da rua. Homem esse que se "aproveitou" dela, que acabou por engravidar.
Para a família de Souad era uma tragédia, uma desonra para com a família.
Nessas aldeias, quando uma mulher desonra desta forma a família só existe um caminho: a morte. Foi aí que surgiu o episódio "O Fogo".
Souad deu entrada num hospital local da Cisjordânia com o corpo queimado, à exceção das pernas que não foram consumidas pelas chamas (que acabou por ajudar na reconstrução das outras partes do corpo com as peles perdidas entre as chamas). Chegou ao hospital queimada, imunda com o cheiro e grávida de sete meses. Todos os médicos e enfermeiras que passavam pelo quarto de Souad não lhe davam a mínima atenção tal era o cheiro a carne queimada.
Certo dia, uma senhora de seu nome Jacqueline, que fazia parte de uma fundação "Surgir", virada para as mulheres subjugadas, em qualquer parte do mundo, a tradições criminosas, mártires no corpo e na alma, deu entrada no hospital para prestar ajuda a Souad. Para Jacqueline conseguir retirar Souad do centro hospitalar onde esta se encontrava precisava da assinatura dos pais da menor, o que seria uma tarefa árdua, pois os pais queriam a jovem morta.
Jacqueline conseguiu tratar de tudo e levou Souad e o seu filho bebé de nome Marouan para a Europa, onde esta foi tratada devidamente, com os cuidados necessários. O seu filho foi adotado com cinco anos de idade por uma família de acolhimento.
Souad, em 2002 e já com quarenta e cinco anos encontra-se casada, com duas filhas, Leticia e Nadia e completamente feliz. Conseguiu construir uma casa, onde vive com a sua familia e o seu filho, Marouan, nascido por um milagre, onde habitam atualmente algures na Europa.
Esta é  uma historia bastante emotiva, na minha opinião uma milagre , não foi por acaso que Jacqueline apareceu, e não é por acaso que uma jovem de dezassete anos sobrevive a uma tragédia como esta, ao ser queimada viva. Com coragem, com força de vontade, esta mulher é hoje uma mulher feliz e realizada, marcada, cada cicatriz que possui no corpo representa parte da sua história.




Espero que gostem e assim fecho mais um capítulo de um livro, ao qual aconselho vivamente a ler.

Beijinhos,
Carla Salgado