domingo, 14 de maio de 2017

37 semanas de desespero...

Não acreditamos quando nos dizem que uma gravidez não é igual a outra, achamos sempre que estar grávida é sempre igual, é só carregar o mundo na barriga, enjoar de vez em quando, por vezes uma fome descomunal, mas no fundo uma maravilha. Não posso negar que gosto de estar grávida, faz-me sentir mais bonita, mais mulher. Mas hoje sei que cada gravidez é completamente diferente, porque pensando bem, os anos passam, nós crescemos, e a maneira de nos vermos em determinadas situações é totalmente diferente. Quando estive grávida do Francisco não tenho um único defeito a apontar, senti-me sempre bem, enjoei algumas vezes mas nada de mais, à excepção do calor que senti durante quatro dias e nem dormi, mas isso, foi o menor dos problemas. Na gravidez do Salvador, bem, senti alguns enjoos também, apetite a toda a hora, passei o Verão inteirinho, e posso dizer que nisso sofri bastante, mas há algo que foi diferente, eu!

Descobri cedo que estava grávida. No dia 10 de Março de 2016 tive uma simples consulta de rotina no centro de saúde, e lembro-me que nesses últimos dias andava a sentir-me um pouco estranha, algumas dores de barriga, mais sono do que o normal, mas como na altura andava no ginásio, sempre pensei que era algum cansaço misturado com os exercícios. Sempre fui muito desregular na menstruação, por isso nunca pude me guiar por aí. Queria muito engravidar, e quando em Outubro de 2015 me deram finalmente autorização para poder avançar tentei sempre, mas como todas as mulheres que tentam e sem sucesso, em Janeiro de 2016 disse a mim mesma que não tentava mais, tinha passado pouco tempo, é verdade, mas na minha cabeça já começava a achar que se não tinha acontecido ainda, era porque nunca mais iria ser mãe (que parva, eu sei!) Então expus à enfermeira as minhas dores, e a forma como se sentia diferente, e obviamente que mandou de imediato fazer um teste de gravidez, ainda me lembro na altura de lhe dizer que não queria porque só eu sei como me sentia quando via um negativo. Escusado será dizer que o teste deu mesmo positivo, e é impossivel para mim conseguir escrever aquilo que eu senti, não consigo mesmo, tão mas tão feliz, dentro de mim finalmente cresceria a promessa que eu tinha deixado à dois anos trás, um irmão para o Francisco! Só me apetece neste momento escrever umas vinte frases a dizer que fiquei muito muito muito feliz. Saí do centro de saúde e liguei logo ao Fábio, preciso de dizer o quão feliz ele ficou também? Acho que é óbvio. Liguei à minha mãe, contei ao meu irmão, e poucas mais pessoas. Ao longo do dia, e quando a notícia começou por se interiorizar, não pude evitar que o medo voltasse, e desse lugar a algumas dúvidas. Não contei a muita gente, não expus, e foi aí que deixei de escrever por completo. Por medo, medo de expor, medo de errar, medo de falhar, medo de voltar a passar por tudo outra vez... 
O tempo foi passando, as consultas eram muitas, e fui encaminhada para a maternidade Júlio Dinis ainda estava pouco mais de dois meses de gestação. Um pouco reticente na altura, mas fui, sabendo que iria passar o resto da gravidez a viajar para o Porto, para inúmeras consultas, e depois quando fosse o parto? E se tivesse de ir de urgência? Porto não é assim tão longe, mas em hora de ponta, ainda nascia na ambulância. Sim, fui muito paranóica, mas acho que é aceitável. A primeira consulta com o Dr. Jorge Braga foi super calma, com pedido de eco e alguns exames, mas sempre muito calmo, por todos os médicos que passei (e acreditem que corri alguns) tentaram todos transmitirem-me um pouco de calma. Sem sucesso.
Às doze semanas fiz a primeira ecografia (acabei por fazer mais umas três ou quatro, por opção minha, mas pronto), e estava tudo bem, o bebé todo formado, pronto a passar ali mais uns bons seis meses a desenvolver saudavelmente. Não fui imune a toxoplasmose, mas não esperava eu outra coisa. Fiquei com baixa de gravidez de alto risco, e ainda ouvi de um médico que a minha gravidez de risco não tinha nada, e eu é que não queria trabalhar, bem, conseguiu deitar-me abaixo por completo, mas depois de lhe apresentar todo o meu processo antecedente a esta gravidez, o desfecho é óbvio e não voltei lá mais. A partir das vinte semanas apenas fui seguida na maternidade, porque começou por ser cansativo ir a vários médios (porque eu queria várias opiniões) e ouvir sempre versões diferentes, então achei certo jogar pelo seguro, e ir apenas onde me davam mais segurança. E foi nessa altura que descobri, que mais uma vez, fui abençoada pela cegonha por mais um menino, querem que volte a dizer que fiquei muito muito muito feliz? Não que eu tivesse preferência, mas acho que o meu coração estava a precisar de um menino, a minha necessidade sempre me chamou para o menino.
Umas semanas mais à frente acabei por ganhar coragem, e pela primeira vez abri as malas que eram do Francisco. Recordei peça a peça, momento a momento e chorei muito, A partir dessa altura acho que a felicidade deu lugar ao medo e à ansiedade, e nunca mais se foram embora. Não substitui as roupinhas, mesmo as peças que estavam bordadas com o nome Francisco ficaram para o irmão. 
A decisão do nome não foi dificil, era impensável colocar o mesmo, não vinha ninguém para substituir, cada pessoa é uma pessoa e este bebé era outro bebé, o meu segundo filho. Na altura lembro-me de falar com o Fábio e dizer que gostava de Santiago, mas na altura alguns bebés tinham nascido e já tinha ouvido várias vezes esse nome, então sugeri Salvador, por não ser vulgar, e por ser um nome tão forte. No fundo ele vinha para nos salvar não era? O Fábio ainda ficou um pouco reticente, mas aceitou, e agora, esperávamos ansiosamente pelo Salvador. 
A gestação foi passando, o verão veio forte, fiz o meu exame de condução grávida de quase seis meses, chegou setembro e os oito meses. Os médicos diziam-me que era muito provável o Salvador nascer às 37 semanas para não correr riscos. Bem, riscos? O que queriam eles dizer com riscos? O meu bebé estava em risco? Em cada consulta, principalmente em cada ecografia o meu coração parava com tanto medo. Eu tinha medo de tudo o que vinha do outro lado, tinha medo das respostas, tinha medo de tudo o que eles me pudessem dizer. Houve uma ecografia que tive de repetir porque tinham descoberto alguma coisa na placenta, eu já me andava a preparar psicologicamente para tudo, comecei a achar que iria passar por tudo outra vez, e a minha vida estava prestes a acabar. 
Outubro chegou, e as 36 semanas também. O dia do parto ainda não estava marcado e eu só pedia ao médico para se apressar porque eu não aguentava mais. Adorava estar grávida, mas saber que poderia passar outra vez pelo inferno estava a matar-me por dentro. 
Foi numa segunda feira, 24 de Outubro de 2016 que fiquei com o coração nas mãos. Numa simples consulta de rotina, já nas 37 semanas, que o Salvador alarmou toda a gente. Como sempre estava a fazer o CTG (para quem não sabe são as cintas que se colocam em volta da barriga para se controlar a frequência cardíaca do bebé, e as contracções) e as enfermeiras chamaram o meu médico e o pânico instalou-se. Acreditavam que o Salvador estava com uma arritmia cardíaca e mandaram-me de imediato para as urgências. Fiquei horas à esperas, fiz CTG vezes sem conta, e eu cada vez mais a morrer por dentro. Só dizia para mim mesma que a hora tinha chegado e o meu mundo iria acabar. Após a consulta na urgência e de me dizerem que sim, o salvador estava mesmo com uma arritmia mandaram-me estar lá no dia seguinte as oito da manhã, para ficar internada porque me iriam induzir o parto, o Salvador TINHA de nascer!
Passei essa tarde sozinha, precisava de descansar, mas essencialmente de pensar. Eu tinha de estar preparada para tudo, tinha de ser forte e tinha de lutar até ao fim, ganhei forças e disse para mim mesma que não ia perder outro filho, não ia, eu ia lutar por ele até não ter mais forças. 
No dia 25 de Outubro as 8 horas em ponto, já me encontrava nas urgências da maternidade, de malas na mão, papéis preenchidos e pronta para ser internada. O Fábio esteve sempre do meu lado, e as 9 induziram-me o parto, a partir dali era esperar que fizesse a dilatação, que as contracções ficassem cada vez mais fortes, e só nos restou esperar, horas, que para mim foram as mais longas da minha vida. Caminhei muito por aqueles corredores, ouvi muitos bebés nascer, sempre muito ansiosa, sempre lado a lado com o Fábio. Eram dezassete horas quando já não aguentava mais com as dores e me rebentaram a bolsa, e agora? Continuava a restar-me esperar. Às vinte e uma fui para a sala de partos, levei epidural, e esperei que a mãe natureza fizesse o seu trabalho. Ainda dormi, o Fábio também, sentado no cadeirão ao lado, estávamos de rastos, cansados. Era uma e meia da manhã quando chamei uma enfermeira e disse que estava com dores, fortes, fui examinada e só consegui ouvir ela dizer bem alto para uma equipa que "estava na hora". Após dezassete horas, cinco parteiras, dois médicos, forceps e alguns cortes depois ouvi um choro tão mas tão reconfortante que ainda hoje me caem as lágrimas só de lembrar. Ele estava ali, ele nasceu, cheio de vida, de olhos bem abertos, a chorar muito, como eu sempre pedi, sem arritmias, apenas vivo.





26 de Outubro de 2016 

Beijinhos
Carla Salgado



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Estou de volta!

Como se costuma dizer, parece que passou uma vida, e é verdade. Pelo menos mais uma vida está presente, e após seis meses da sua chegada sinto-me preparada para voltar. Voltar a um mundo que é o meu, do qual nunca deixei de fazer parte, mas tive de deixar de lado, por várias razões.  Inicialmente quando engravidei tive medo de voltar a expor todos os meus sentimentos, não posso mentir que aquele botão de medo de perder nunca se desligou. Após o nascimento do Salvador a minha vida mudou tanto, mas tanto que apesar de não ter mesmo tempo para escrever, o medo continuava aqui. Mas hoje, não sei porquê hoje, mas hoje tenho necessidade de estar aqui, com alguns ajustes, mas a fazer aquilo que sei fazer, escrever.
Como já referi, a minha vida mudou muito mesmo, agora tenho sempre alguma coisa para fazer, mais não seja brincar, porque voltei a ser criança.
Sabem do que me apetece mesmo falar hoje? Do quanto amo ser mãe, e do quanto amo mais ainda o meu filho, a minha vida e a minha família. Nunca duvidei que nasci para ser mãe, mas depois de o ter, depois de sentir o sabor, tenho a certeza. 
Hoje, para não exagerar nestes enormes textos que costumo fazer vou apenas partilhar, partilhar o amor, partilhar o que nunca partilhei antes...

A minha vida.











Com a promessa que estou mesmo de volta, porque preciso...

Carla Salgado

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Trombofilia na gravidez

Torna-se mais num espelho de tudo aquilo que terei de passar durante os próximos cinco meses e meio. Uma rotina que já foi feita à quase dois anos atrás, no inicio de tudo, mas que desta vez é diferente. Não é um simples tratamento, não é uma simples rotina, não é um simples sangramento nasal quase todos os dias. É a minha vida. É aquilo que eu transporto, carrego e vou gerar dia após dia, até receber o milagre nos meus braços. Com fé, sempre com fé. 
Sei que está a ser confuso, mas eu vou explicar. Todos que me seguem aqui no blog, sabem por tudo o que passei pós-parto, refiro-me à trombose venosa profunda. Na altura quando tudo aconteceu, foi me desaconselhado completamente engravidar, pelo menos sem saber os motivos, e os cuidados inevitavelmente seriam redobrados, triplicados... Quando me deram autorização para o fazer, já não estava a tomar a medicação, e apenas caí no erro de não esperar pelos resultados dos exames que fui submetida. Mas nada de preocupações, porque o tratamento iria  ser feito, e nunca me foi escondido todo o processo. Eu sabia que seria difícil, mas não desisti.
Para tudo isto, e para de certa forma esclarecer algumas dúvidas que também surgem das pessoas que me acompanham, recolhi alguma informação para postar aqui no blog. 

Sobre heparina
"Na gravidez a trombofilia pode resultar em abortos, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, deslocamento precoce da placenta, entre outras complicações. Os sinais de alerta são: perda fetal repetitiva (cerca de três vezes) no primeiro trimestre da gestação e histórico de complicações obstétrica (eclâmpsia ou trombose venosa profunda na perna). Porém, quando o problema é acompanhado e tratado, as chances de sucesso são de 90% e 94%. Caso contrário, os riscos são de 30% para complicações graves e 16% dos abortos por repetição estão relacionados directamente com a ocorrência de trombofilias. 
Em caso de diagnóstico positivo, a trombofilia é hereditária ou adquirida. A diferença é que a genética é consequência de mutações e/ou deficiência na produção de anticoagulantes naturais (proteína C, S, Antitrombina). Já a trombofilia adquirida pode ocorrer quando o paciente se torna obeso grave, diabético, sedentário ou passa por imobilização prolongada, uso de anticoncepcionais orais, reposição hormonal, cancro e alguns distúrbios de imunidade. *
Prefiro considerar a gestação portadora de trombofilia como uma gravidez especial. Não só porque na maioria das vezes a gestação vem depois de duas perdas ou é primeiro filho. É que a fase deve ser monitorizada com mais intensidade. Além disso, a rotina do pré-natal tem um detalhe a mais: todos os dias a gestante aplica em si mesma uma injecção de heparina para evitar a formação de trombos e controlar a coagulação do sangue em níveis normais.
Mesmo com tratamento a gravidez é de risco. A boa notícia é que, devidamente assistida, as chances de sucesso são de 90% a 94%. O primeiro passo para se chegar ao diagnóstico é uma boa conversa com o médico. Mesmo com tratamento há riscos. Os mais comuns são queda de plaquetas, sangramento nasal, ocular, em pontos da injecção ou na gengiva."

Sobre o ácido acetilsalicílico (aspirina)
"É um fármaco do grupo dos anti-inflamatórios não esteróides, utilizado como anti-inflamatório, anti pirético, analgésico e também anti plaquetário. --> Usado para evitar a activação e agregação das plaquetas e formação de trombos arteriais."

* A mutação que me "assombra" é a mutação Factor V-Leden em heterozigotia. Ou seja é uma mutação genética, hereditária, onde há uma interferência na actuação da proteína C, causando uma predisposição à hipercoagubilidade e à trombose. 

É muita informação, e depois de ler tudo isto, acredito que muita gente fique a pensar que é um bicho de sete cabeças... Mas não é, não fiquem com pena, eu sabia que seria assim, quando escolhi voltar a engravidar sabia que o tratamento não ia ser fácil, que ia passar por momentos bons, dolorosos, mas que no fim vão valer a pena. Eu acredito, e só quero que acreditem junto comigo.´
Ainda pensei ilustrar este post com uma injecção na minha barriguita, mas ainda estou muito reticente em expor-me... A seu tempo...

[Informação retirada do blog "Fertelidade e maternidade", e Wikipédia]

Beijinhos, 
Carla Salgado

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Desabafo #17

É justo. Certo que me sinto um tanto ao quanto reticente a escrever este post, mas acho justo partilhar com quem está aqui presente comigo, quem acompanhou todo o meu processo, quem me apoia, e acima de tudo quem gosta mesmo de mim para se dar ao trabalho de ler arduamente todos os meus posts! Não é segredo para ninguém, não é algo que me faça feliz esconder, mas de certa forma deixa me mais segura. Um pouco de superstição misturada com medo. Normal, depois de passar pelo maior desgosto da minha vida.
À uns dias tive um sonho um pouco nojento, prefiro não pormenorizar, mas onde quero chegar é que costumo ler os significados dos sonhos sempre que os acho estranho, e exactamente desta forma, o significado do sonho dizia que "simboliza um sentimento interno, algo que o sonhador está querendo libertar de si mesmo. Pode ser a dor causada por uma pessoa muito chegada e você não consegue fazer com que o assunto seja esclarecido, revelando-se como espelho da sua mente inconsciente."
De certa forma, é mesmo isto. Estou a viver um sonho interrompido à dois anos atrás, estou a tentar vivê-lo de outra forma, mas sempre com medo. É inevitável, podem dizer-me todos os dias que  vai correr bem, todos os médicos do mundo podem dizê-lo, nunca vou conseguir viver estes próximos seis meses sem medo, sem ansiedade e sem um sentimento estranho que permanece em mim imaginando sempre o pior.
Desejo mesmo, que passe rápido, que tudo aconteça da maneira que eu sempre quis que acontecesse, e que não seja mais um sonho quebrado. Quero plena paz, saúde, e conseguir chegar ao fim de tudo isto com uma vitória nos braços.

Com este post, não quero chamar atenção por isso não lhe dei um titulo chamativo nem pus qualquer tipo de foto que o fizesse suspeitar. Todo o texto não tem a palavra chave, mas qualquer pessoa que o leia entenderá. Vou fazer posts futuramente sobre todo o meu processo, porque no fundo poderá ajudar alguém que tenha de passar pelos mesmos tratamentos que eu.
 Peço por favor para não deixarem comentários na publicação do facebook, podem fazê-lo aqui no blog, ou por mensagem. Espero que tenham esse respeito por mim.

Estou feliz, muito feliz. Mas com mais mil sentimentos misturados.

Beijinhos,
Carla Salgado


segunda-feira, 21 de março de 2016

À beira de...

Abismo, precipício, parecem palavras tão fortes, mas que casualmente são utilizadas. Quando nos sentimos fracos, desgastados, perdidos, sentimos-nos sempre perto de algo que parece o fim. Não é que me sinta de todo assim. Cansada sim, não fisicamente, mas existem situações que ao longo do tempo nos vão desgastando. As minhas alterações de humor podem não estar a ajudar, mas estes balanços, picos e ataques de não te quero ver são tão constantes que me deixam mesmo cansada.
Sabem aqueles dias em que nos sentimos sozinhos, e quando tentamos nos aproximar de alguém, quem quer que seja, para falar, simplesmente desabafar, esse alguém muda literalmente de conversa para falar dele, para mostrar que está bem (ou mal), para nos fazer que por vezes estes picos de humor perto das "aventuras" miseras deles não são nada? Sim, confusão nesta pergunta mas é isto que eu sinto.
Sinto-me a fugir por vezes de tudo e todos para não ter de dizer, falar, ou simplesmente escutar o que quer que seja porque eu também preciso de ser ouvida, mesmo que não tenha nada de jeito para dizer...
Há dias que saio de casa, e sou brindada com comentários e elogios que me fazem acreditar na pessoa que sou, pessoas que estão do meu lado, que caminham junto comigo, que rezam, e apoiam em todas as decisões e ocasiões, que não invejam, não tentam mostrar que são melhores, não exibem, não gabam, simplesmente se deixam fluir com as palavras... São essas pessoas que eu gosto, e são essas pessoas, que no fundo não partilhamos qualquer tipo de amizade, mas sim interacção profissional, que eu quero que continue a aparecer na minha vida. Porque independentemente de todas as amizades que possamos ter na vida, as pessoas que são sinceras, opinam e nos ajudam a crescer é que acabam por merecer um lugar, por mais pequeno que seja, na nossa vida!!!
Contudo, acabo por estar cansada das pessoas, que nada mais têm para oferecer, do que a exibição, inveja e todo o tipo de sentimento que não nos faça feliz. Porque no fundo, a nossa felicidade, por mais pobre que seja ainda dá comichão a muita gente...

quarta-feira, 16 de março de 2016

Do amor...

Inexplicavelmente fluo entre linhas indeterminadas pela ausência do teu cheiro. Saudade sinto em cada minuto que passo longe de ti. Vago e imprudente, mas verdadeiro. És a metade que todos os dias procuro para completar o meu ser. Tu existes, tu és meu, estás em mim, e eternamente ligados. Chegam a faltar palavras para conseguir proferir tamanho sentimento que nutro por ti. É real, é verdadeiro, é único, é meu, é nosso. 
Por vezes é dificil acreditar que já enfrentamos tempestades impensáveis de sobreviver. É dificil olhar para trás e saber que perdemos sonhos, objectivos inacabados, batalhas perdidas, mas mesmo assim, juntos. Pergunto-me vezes sem conta, afinal, o que te leva a amar-me assim tanto para nunca me abandonares? Porquê eu? No meio de tantas outras mulheres, mais bonitas, mais atraentes, porquê me escolheres a mim? Acredito no destino, e que todas as pessoas no fundo são um puzzle em que apenas se encaixam verdadeiramente numa só pessoa. Eu encaixo em ti, tu encaixas em mim, numa só melodia, num ritmo que apenas nós sabemos dançar, formamos a peça completa.
Escusado será dizer que és o meu mundo. Não obsessivo, não doentio, nada perfeito, muito menos exemplar, mas meu. Esta nossa forma de amar diferente de todas as outras faz-me acreditar que o propósito da minha vida, és tu. A razão pela qual eu existo, pela qual eu tenho amor, carregadas de amor, és simplesmente tu. Porque dessa tua forma, diferente, por vezes completamente imperfeita, amas-me, fazes-me sentir amada, especial, e como se o mundo lá fora não fosse importante.
Recordo anos ao teu lado, quase nove. Momentos inesquecíveis, recordações que para sempre estarão gravadas dentro de mim. Discussões sem nexo. Beijos roubados. Abraços forçados. Sorrisos que simplesmente fluem só com um simples olhar. Porque é deste jeito imperfeito que somos felizes.
Já pensamos tantas vezes em fugir um do outro, com raiva, e cansaço por tantos anos de imperfeição. Mas ambos sabemos que há sentimentos impossíveis de fugir. Há relações que foram feitas para durar. E mesmo que não dure, sabemos que o amor que nos une é, e será sempre mais forte do que qualquer outra coisa possa existir no mundo.

Amo-te, muito, demasiado, intensamente, não interessa, o que importa é que te amo, do meu jeito.

(2008)

segunda-feira, 14 de março de 2016

...

Não guardo segredos, não finjo sentimentos, essencialmente não finjo ser quem não sou. Por vezes esconder verdades, omitir tristezas é uma forma de não mostrarmos fragilidades. Cada vez mais me apercebo disso, o mundo não quer ver felicidade, não quer ver o teu sucesso nem tão pouco as etapas da tua vida correram da melhor forma possivel. O mundo quer ver-te no chão, como eles, triste, como eles, sem sucesso, como eles, e acima de tudo infeliz com a vida. Triste realidade.
Ao longo deste tempo, aprendi a não mostrar tudo, apesar de ser assim, transparente, aprendi que há certos pedaços de nós que devem ficar nesse mesmo lugar, em nós. Por vezes nem é achar que existe uma determinada pessoa que nos quer mal, mas sim, um aglomerado de pessoas que, intencionalmente ou não, invejam esses pequenos pedaços que para nós é uma enorme felicidade. 
Se estou feliz? Sim, estou. Mas demorei muito tempo a criar a minha felicidade, sem passar por cima de ninguém, sem denegrir nada, sem sequer provocar tristeza em quem quer que seja. Trilhei vários caminhos, tropecei, cheguei mesmo a cair, mas devagarinho, em pequenos passos de caracol contrui um muro, uma muralha, e o meu castelo, onde guardo todos os meus pedacinhos, comigo, com o Fábio, só para nós! 
Eu mostro a minha felicidade, não mostro as razões...

 Beijinhos,
Carla Salgado

terça-feira, 8 de março de 2016

A verdade

Nem sei bem como começar este post, sinceramente vai ser dos que mais me vai custar escrever. Sinto-me, de certa forma, na obrigação de partilhar, verdadeiramente tudo aquilo que aconteceu com o Francisco. Após todos aqueles textos enquanto grávida, todos aqueles textos pós-grávida, todas as minhas partilhas de tristeza, a dor, a imensidão de dor que se apoderou de mim, sinto que tenho de partilhar agora a verdade, talvez o texto mais transparente que irei fazer...

Há dias que gosto de recordar o dia 13 de Julho, apesar de tudo, não deixa de ser o dia em que tive a melhor experiência da minha vida. Penso várias vezes como pode ser possível o dia mais feliz da nossa vida ser também, o pior. Penso como é possível, numa fracção de segundos estarmos felizes e tristes, como é possível a vida mudar com uma simples frase? Lembro-me bem que horas eram, cinco da manhã, e eu sem conseguir dormir, aquelas contracções horríveis que não me deixavam em paz, e eu sempre na dúvida se estava na hora ou não. Lembro-me bem de estar a trocar mensagens com a Bárbara, e ela só dizer: "amor, vai para o hospital!" Tinha medo, claro que tinha medo, apesar de andar nove meses ansiosa por aquele dia, eu não tinha o Fábio perto, quem me iria segurar na mão? Quem me iria beijar a testa quando finalmente tivesse de parar de fazer força? Quem iria cortar o cordão umbilical? Eu não queria que ele nascesse já, não queria assim desta forma... Mas nós não mandamos nisto pois não mães?
A viagem até ao hospital foi demorada, bem, na minha cabeça sim, tudo o que eu queria era chegar lá o mais rápido possível, e o tempo não passava. Não tinha conseguido mandar mensagem ao Fábio, nem ligar, tinha a sensação que teria de esperar pelo momento certo, até porque tudo aquilo poderia ser, na verdade, falso alarme. 
A arrogância começou na chegada, quando, deitada na maca uma mera enfermeira (sem querer descriminar quaisquer enfermeiros)me diz: "não és nenhuma inválida para estares aí deitada, põe-te a pé!" Bem, na minha paz de alma que sou, fiz o que ela mandou e deitei na marquesa do consultório médico da sala de partos. Como habitual, fizeram me as perguntas de rotina e logo de seguida a ecografia... O silêncio, é o único som que ainda hoje paira na minha cabeça... Faltavam os batimentos cardíacos, faltava os pontapés, faltava uma vida ali... A insensibilidade de dizer: "O seu filho está morto!" ainda me mói, ainda dói e ainda ecoa aqui dentro... A insensibilidade no olhar, nas perguntas e na falta de apoio psicológico ainda me fazem pensar como MULHERES, mães ou não conseguem ter essa frieza toda!! Pode ter sido a única forma de dar uma notícia, pode ser a forma como elas utilizam para o fazer, até podem estar habituadas a dar este tipo de notícias e aquela vida ser mais uma que não lhes faz a mínima diferença. Mas era o meu filho, é o meu filho, é uma vida que apesar de terminada estava dentro de mim, era o que eu mais queria e o que eu mais amava, era a única razão que eu encontrei para viver. Era a minha vida. E ela tinha acabado ali, naquela marquesa, naquele consultório, naquele corredor de partos, naquele sitio onde milhares de felicidades passaram, e bebés que choravam pela primeira vez... Metade de mim estava com o Francisco no céu. E apesar das restantes quatro horas e meia eu não conseguir ter quaisquer pensamentos, eu sabia que o momento de me separarem dele estava a chegar, e nada eu poderia fazer para o impedir. E o Fábio continuava sem saber nada... 
"Puxa Carla, já vejo a cabecinha!" "Tens tempo querida, força!" Eu não queria ter tempo, eu queria que ele saísse e ouvisse um choro, queria acordar e saber que tudo aquilo era um pesadelo. Foram os vinte e oito minutos mais longos da minha vida, os mais felizes e os que mais me doeram. Irónico não é? Como é possível nesta vida termos um~misto de sentimentos ao mesmo tempo?
Não o vi. Não peguei nele, não ouvi chorar. Não sei de nada!!! E sabem que no fundo isto é o que mais me dói hoje? Não quero que me venham dizer que foi o melhor, que se o visse era pior, prefiro que não me digam nada, naquele dia sim, foi o melhor, mas hoje, ao longo do tempo não!!! Dava tudo para poder voltar atrás, e apesar de saber que não poderia mudar o destino daquela fatalidade, ao menos pegaria nele, abraçava-o e beijava-o! Faria tudo aquilo que uma mãe tem o direito de fazer... Culpo-me por isto, por não ter sido adulta o suficiente para ama-lo no primeiro instante. Acho que nunca disse isto a ninguém, mas vivo à vinte meses com a certeza que rejeitei o meu filho no dia que ele nasceu!
Dói imaginar os restantes momentos, dói estar aqui sequer a lembrar-me da dor, dói, ainda hoje olhar à minha volta e sentir-me vazia, dói-me toda ausência, dói-me não ter tido a oportunidade de ser feliz... Às vezes olho á minha volta, e vejo grávidas, e bebés, imagino como se seria se tudo fosse diferente e não consigo. A minha mente tornou-se de tal forma vazia que se tornou impossível sequer, pensar em algo que não houve a mínima hipótese de ter acontecido.
Esperei quinze meses para saber o porquê disto tudo ter acontecido. Passei por coisas que não desejo a ninguém ter passado, o facto de perder um bebé por si só, parece não ter sido o suficiente... "O que fazemos ao corpo do seu filho?", continuo a achar que estas perguntas vezes sem conta foram-me matando mais um bocadinho. Como não me tornar numa mulher mais fria, vazia e sem propósitos? A trombose não ajudou, e todo aquele percurso entre hospitais, internamentos, medicamentos, desgastou-me por completo.
Fui chamada, poucos dias antes do dia quinze de Outubro, ironia do destino, na semana em que tive realmente autorização para poder voltar a engravidar! Fiquei receosa, quinze meses à espera de noticias é realmente muito tempo. Houveram alturas em que perdi a esperança sequer de saber o porquê... Tantas foram as vezes que achava que o mundo estava contra mim e queria apagar a existência do Francisco. Tanta coisa me passou pela cabeça... Mas chegou o dia que tanto esperava, estava tão ansiosa, nervosa, só conseguia pensar que não queria que a noticia me destruísse. Passei dias a achar que a culpa iria ser minha, que o erro seria meu, pensei que iria ter de culpar alguém pelo que aconteceu, pensei em mil e uma coisas, mas tinha de me mentalizar que após tudo o que me aconteceu após a morte do Francisco era apenas um dos indícios que algo não estava bem comigo.
Quando cheguei ao 3º piso, e à porta da sala de partos bloqueei. Tive um flasback, na minha cabeça passavam imagens, frases, lágrimas, memórias, vozes, tudo o que eu não precisava de sentir naquele momento. Senti-me a desmoronar, a desfalecer, e ainda me passou pela cabeça não querer saber de nada e sair dali, a correr!!! Estive duas horas à espera, e ainda vi partos de urgência, ouvi choros de bebés acabados de nascer, pais felizes, médicos contentes, mães maravilhadas, e eu! Sabem quando estão fechados numa bolha tão grande, mas tão grande prestes a rebentar? Eu sentia-me assim. Mas fui forte, aguentei, segurei, e esperei pelas palavras que me trariam a verdade...
Melhor do que eu explicar tudo por palavras minhas, só mesmo partilhando com vocês, no fundo, aquilo que se tornou num pedaço de mim.




Ao meu filho,
serás sempre o eterno amor da minha vida. Levaste contigo todos os meus sonhos, todos os meus projectos de vida, todo o amor que guardei para te dar. Um bocadinho de mim foi contigo. Eu e o papá continuamos dia após dia, a acordar e a ter-te como nosso primeiro pensamento. Às vezes tenho medo que te sintas esquecido, eu sei que muitas das vezes pareço obcecada por falar de ti a todo o momento, mas eu não quero que ninguém te esqueça, eu quero que toda a gente saiba que apesar de teres partido cedo demais, exististe, e eu sou tua mãe. Isso ninguém me pode tirar. 
Sabes que a prima continua a dizer que te vê nas estrelas? Quem sabe que não seja verdade, e na realidade estejas aqui bem presente connosco. Eu quero acreditar que sim, quero acreditar que de certa forma continuas aqui dentro de mim, e a fazer-me sentir novamente viva. "Madinha, o kikinho tá ali naquela estrela!" 
Por mais que eu queria continuar a proferir palavras para ti não consigo meu amor, dói tanto. Quem disse que o tempo me iria ajudar não sabe o que é perder um filho... Dói demais, sinto um aperto no coração só de estar aqui a escrever isto...
Amo-te demais, eu e o papá, para sempre.
Eterno amor da minha vida.
  

segunda-feira, 7 de março de 2016

Desabafo #16

Hoje dei por mim a vaguear pelo meu computador. Entre fotografias, memórias, a nostalgia trouxe me aqui, ao meu mundo, ao qual me desloquei, sem razão, sem necessidade, mas afastei-me! Não por vontade própria, nem sequer por ter sido obrigada, obviamente, talvez a desmotivação e comentários que nunca na vida deveria ter dado ouvidos, mas a verdade é que aquilo que à uns tempos me fazia tão bem, tornou-se em algo completamente obstante à minha vida. Não que não tivesse necessidade de partilhar todos os meus percursos, porque sei que existia, e ainda existe muita gente que me quer bem e seguia afincadamente cada post meu, mas porque também acabei por perceber que a curiosidade alheia tornara-se forte, e apenas as coisas más das quais eu partilhava é que lhes davam realmente vontade de ler. Fiquei triste por isso, e afastei-me.
Mas hoje, com tantas memórias, com a mesma música de sempre aqui estou, a escrever, e a sorrir, porque a vontade finalmente surgiu, e fico com a esperança de voltar a partilhar, de voltar a sonhar, de voltar a ser quem realmente sou, e a fazer aquilo que realmente gosto. 
Já passou quase um ano desde a ultima publicação, e realmente muita coisa mudou. Á uns dias, apareceu-me nas memórias do facebook um post de à um ano atrás, partilhei-o de imediato, porque realmente percebi a quantidade de coisas que mudaram na minha vida. Falava da minha casa, que apenas fazia um mês que lá estava, e já passou um ano e um mês, do controlo de sangue, que faltava meio ano para fazer o estudo trombótico, que já nascera a vontade de ser mãe, de tudo o que consegui que acontecesse.  
O meu casamento, que continua a ser a base de tudo, continua sólido e forte, com os seus altos e baixos, como todos os casais, vamos aguentando. O Fábio continua longe, esperemos que não por muito mais tempo, e eu cá estou sozinha. Bem, sozinha não, porque a Khira e o Noah já fazem parte da nossa família. 
A minha saúde vai melhorando aos poucos, felizmente, o grande passo está dado, que foi deixar definitivamente a medicação para o sangue, deixando nas consultas a promessa que nunca mais seria uma pessoa sedentária, e iria controlar a alimentação e tudo o que rodeia na minha vida. A promessa está a ser cumprida, estou no ginásio desde Setembro, e apesar de não ter perdido grande peso (porque confesso que o meu esforço não tem sido assim tanto para tal), sinto-me muito melhor, nada de dores, nada de idas às urgências, nada nada nada. As consultas deixaram de ser trimestrais e passaram a anuais, e agora é só portar-me bem, e cada dia, acordar e não me esquecer da promessa que fiz.
A luz da minha vida continua a bater bem forte no meu coração, as saudades são mais que muitas, e já não consigo sequer proferir palavras para descrever este sentimento que me invade. Muitas vezes tento encontrar um outro motivo para sorrir, há dias que não sabemos o nosso propósito da vida, mas não nos podemos esquecer de quem fomos, quem somos, e o que nos poderemos tornar. Já passaram vinte meses desde que o Francisco partiu para as mãos de Deus, vinte meses de tristeza, angústia e acima de tudo saudade, mas vinte meses de certeza, certeza que o meu propósito nesta vida é ser mãe, é amar, cuidar e ser feliz juntamente com quem amo com todas as minhas forças. Sei que esse dia vai chegar, na hora certa, no tempo certo.


Vou partilhar algumas fotos que fizeram parte deste último ano, não todas claro.












Sejam felizes.

Beijinhos,
Carla Salgado

quinta-feira, 28 de maio de 2015

As pílulas e as dúvidas!

Pois é, ultimamente têm aumentado os casos de trombose venosa profunda, assim como aparecimento de varizes em jovens, AVC, embolias pulmonares e as causas encontram-se naquelas em que nós achamos que são a nossa fonte segura para NÃO engravidar. Sempre fui a favor da pílula, tomei durante seis anos, e nem pensar em trocar por um outro método. Após nascer o Francisco, voltei a tomar a pílula, apenas duas semanas, não foi preciso mais para dar entrada no hospital e me ser diagnosticado TVP! Em todas as leituras que tenho feito acerca do assunto, e acima de tudo por ler, ouvir e ver tantos casos de jovens na mesma situação que eu, e muitas delas lavadas mesmo à morte, percebi que a pilula actualmente é feita com um enorme excesso de hormonas, e para quem não sabe, para além de nos fazer ter alterações a vários níveis físicos, relativamente ao sangue é como que um bomba. E muitas perguntam o porquê de só agora termos conhecimentos destas coisas... Não, a história de que antigamente morriam sem saber a causa não é verdade, perguntem às vossas mães se alguma vez tiveram algum tipo de problema com a pílula. A verdade é que o risco actualmente é quase duplicado em relação às mulheres que tomam contraceptivos orais de estrogénio mais antigos que contém levorgestrel, norestisterona ou norgestimeta. São nomes complicados, eu sei, mas é aqui que tudo muda. Para além de tudo isto, nunca se podem esquecer que as pílulas tem efeitos colaterais, ainda que não seja em todos os casos, mas não os devemos ignorar, tais como:

  • Cefaleias
  • Distúrbios gástrico
  • Náuseas
  • Tensão mamária
  • Variações de peso
  • Alterações de libido
  • Estados depressivos
Os melhores métodos contraceptivos são todos aqueles que não contém hormonas. O preservativo continua a estar no topo dos métodos mais eficazes, apesar de nenhum ser a 100%. Ouço várias pessoas dizerem; "ai, estou numa relação e não é nada confortável utilizar preservativo!" Que diria eu estar casada e não ter nenhuma outra solução? Não podem pensar que é desconfortável, ou que os vossos namorados/maridos não vão aceitar, a saúde está em primeiro lugar e num casal tem de ser aceite pelos dois. 
Há muitos outros métodos como é óbvio. Informem-se junto dos vossos médicos, e mesmo que eles tentem convencer-vos que a pílula é a única solução não desistem. Muitas vezes o facto de querermos esse método por não ter custos, visto que é comparticipado pode levar-nos a gastar dinheiro noutras doenças e consultas.
Informem-se e cuidem-se.


Beijinhos,
Carla Salgado

sábado, 23 de maio de 2015

Um novo recomeço

Ainda me sinto hesitante e reticente em relação a tudo isto, a verdade é que tudo aquilo que antes escrevera estagnou e não me deixou mais proferir nenhuma palavra. Não sei se o facto das más linguas e de todas aquelas pessoas que criticaram o facto de eu falar sempre do mesmo assunto me fizeram parar, mas a verdade é que tive vontade de parar, e foi sempre maior do que aquela que por vezes me consumira para voltar a escrever. Penso que o facto de no dia de ontem me encorajarem de tal maneira me fez voltar a abrir este blog e escrever... Escrever sobre o que? Bem, hoje é o meu aniversário, e de certa forma estou nostálgica, dormi quatro horas e não sinto sono. Há uma memória que percorre a minha mente, de barriga grande e um sorriso no rosto. O sorriso recuperei, pensem o que pensarem e da maneira que o pensem, eu sou feliz. Ao longo destes dez meses fui percebendo que eu NÃO PERDI um filho, ele foi viver noutro mundo em que eu não estou presente, eu SOU MÃE, independentemente se o tenho comigo para cuidar ou não. Ainda não superei, ainda não consegui mentalizar que todo este ciclo, por mais que eu o queira fechar não consigo. Não esquecer, não fazer de conta que nada aconteceu, mas simplesmente lidar com outros pensamentos e outras atitudes, não ter medo de dizer sou feliz, sem pensar que isso está a implicar mexer no passado NÃO, eu tenho de ser capaz de ser feliz apesar de todas as adversidades da minha vida. 
Ontem disseram-me que eu tenho de fazer o luto, na minha cabeça pensava que já o tinha feito, mas não, tudo isto que vem dentro de mim é um acumular de sentimentos e dúvidas que por muito que eu ache que já superei, me faz perceber que não. Perdi a coragem de falar com o Francisco, perdi a coragem de lembrar sequer todos os momentos que passei com ele. E se me perguntam porquê, eu não vou saber responder. Luto diariamente para que tudo entre nos eixos e eu consiga superar e ser verdadeiramente feliz, mas de cada vez que estou a chegar ao auge caio...Porquê? Não sei...
Está quase a fazer um ano... Até então tenho conseguido lidar bem com as datas, sempre de coração apertadinho, mas bem, e nesse dia? Só queria enfiar-me numa cápsula por uns tempos. E se calhar é mesmo isso que eu deveria fazer, lidar com as pessoas, lidar com as palavras , lidar com todo este ciclo dá comigo em doida...

Hoje, o meu aniversário, o dia em que prometi a mim mesma viver intensamente sem tristezas. As saudades são muitas, imensas, enormes, não cabem sequer no meu coração. As imagens sucedem-se como um vídeo viciado, mas eu prometi que tudo mudaria, e vai mudar. 
Só quero agradecer, do fundo do coração a todas as pessoas que lidam diariamente comigo, que me ouvem, que me deixam falar, que sabem dizer as palavras certas, que me deixam sofrer sem entraves... Obrigada a quem mais uma vez me motivou para cá voltar e escrever, prometo não desiludir e lutar pelos meus sonhos. Eu vou ser mais forte!
Que estes 24 aninhos me tragam mais sucesso e felicidade, saúde e amor. Vou lutar por eles, fica a aqui a minha PROMESSA!

Beijinhos
Carla Salgado

terça-feira, 3 de março de 2015

Desabafo #15

Quase um mês de ausência neste meu pequeno mundo, e sinceramente a falta que me fazia tirar estes minutos sozinha, com a escrita nos dedos era imensa. Os dias tem sido num corropio, e mesmo aqueles que tenho mais umas horinhas para sentar e reflectir, tudo o que me apetece fazer é mesmo isso. Hoje sentei-me em frente ao computador, com a minha caneca de chá de limão com o intuito de estudar e despachar este curso que não vejo a hora de terminar, mas quando o abri e percebi que a minha ausência aqui apesar de não ser notória para os outros estava a ser vazia para mim.
Tenho mil e uma novidades, é um facto, a cada dia que passa as coisas vão melhorando e o sorriso que comigo transporto torna-se mais fácil de o soltar, e na realidade mais verdadeiro. No fundo vejo uma luz, e a esperança de voltar a ser mãe vem junto e dá-me mais força para amanhã acordar ainda mais feliz. Da primeira vez cometi o erro de espalhar a minha felicidade, e como todos sabem a inveja tem facebook, e mesmo que esteja bloqueada no meu, aqui está sempre presente para ler todos os meus posts e tentar colocar a minha família virada do avesso, pois bem, só tenho a dizer que pode continuar à vontade, porque apesar de eu ainda ser uma menina ferida e fácil de ferir, a verdade é que aprendi a dar valor, a mim, mas acima de tudo à minha consciência, que acaba por valer mais do que qualquer atitude que adultos velhos possam ter...
O facto de estar constantemente a proferir a minha tristeza relativamente à perda que tive, não é chorar-me, mas sim, mostrar. Não me vou fechar numa caverna a sofrer sozinha, não vou guardar os meus sentimentos, não vou parar sequer de falar do MEU FILHO só porque acham que passo a vida a chorar um facto... Perdi, é verdade, sofro todos os dias com isso, aprendi a viver com a minha perda, algum dia teria de ser, segui em frente, e não desisto, nunca. Se para muitos isto é ser fraca e incapaz de viver, peço desculpa, mas eu acho-me forte e ninguém neste mundo me vai fazer sentir o contrário.
Relativamente à minha TVP, e porque sei que muita gente segue o meu tratamento e esta é a forma mais fácil de eu explicar, as coisas estão a andar muito bem. O controlo tem corrido bem, finalmente estabilizou, é certo que de vez em quando vem uns altos e baixos mas tenho conseguido estabilizar. Ontem foi dia de consulta no Santo António e correu super bem. Na sexta passada tinha feito a doppler (ecografia às veias venosas da perna), e o trombo ainda lá está, mas ontem explicaram-me que não há motivos para alarme, o exame mostrou que é um trombo antigo que ainda pode ser destruído, e mesmo que não o seja há outras soluções, o objectivo agora é que não nasça mais nenhum, por isso, tenho seis meses para fazer tudo aquilo que previna o aparecimento deles. Após meio ano, páro a medicação para ver se nasce mais algum, ou continuo bem, caso não haja numa alteração acaba-se a medicação, acaba-se o controlo, e a probabilidade de voltar a ter uma TVP é igual à de outra mulher... Por isso, rezem comigo para que tudo corra bem, para no fim o meu sonho se torne realidade.

E já está quase a fazer um mês que estou na casa nova, e neste momento é tudo o que me faz feliz, eu e o meu amor...

Beijinho
Carla Salgado

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A carta que nunca te escrevi

Pai, 
sei que as coisas ao longo dos anos se descambaram, a menina que eu era tornou-se mulher carregada de sofrimento. Os mimos que partilhava contigo modificaram-se em palavras que por vezes parece nem ter significado. Hoje sou fria, e incapacitada de transmitir sentimentos e/ou afectos, mas eles estão aqui, por mais que eu tente libertá-los não consigo.
Sempre vivemos longe um do outro, as histórias que nos contam de quando eu e os meus irmãos éramos crianças nunca são coerentes umas com as outras, por isso, neste momento da minha vida eu quero acreditar que éramos todos felizes. É verdade que nem sempre tudo correu bem, e isso eu posso dizer porque lembro-me, mas não posso negar que também nos deste coisas que muitas outras crianças na nossa idade não tinha, e lutaste para as poder dar... Claro que ódios há muitos, depois de crescermos e de começarmos a formar a nossa personalidade houve choque entre todos. Sempre estive do teu lado em tudo, mesmo longe tu sabes que sempre me preocupei e nunca me afastei de ti, por nada deste mundo. Sabia que tu ficavas feliz quando eu estava feliz, e mesmo que digam o contrário eu sei, eu conheço-te, e o teu olhar carregado de dor sempre me mostrou isso. Não fui a melhor filha do mundo, mas acredites ou não, esforcei-me a 100%  para que te orgulhasses de mim, mas nunca mo disseste. Diziam sempre que eu era a menina do papa, e era, se calhar ainda sou um bocadinho, mas a vida parece sempre nos afastar. Respeito as tuas escolhas, e como tu viste e tens visto nunca me meti nelas, e se te sentes feliz, então eu estou feliz contigo.
O tempo passa, e os medos aumentam, estás longe e por vezes ouvir-te ao telefone e saber que estás doente e nada poder fazer não é fácil, e tu sabes que eu não fico indiferente a nada do que se passa contigo. Preocupo-me e vivo constantemente a pensar se estás bem, mas como tu me dizes sempre "se não te ligo é porque está tudo bem"...
Não me vou esquecer das palavras que proferiste na passagem de ano quando cá estiveste, soubeste falar, soubeste tocar no ponto que nunca ninguém tocou, soubeste dizer-me aquilo que eu precisava ouvir "segue em frente". Estou lavada em lágrimas, consigo lembra-me de cada palavra que me disseste, e vou lembrar-me sempre. E eu sabia que aquelas tuas conversas tinham algum propósito. Não sei ao certo o que se passa contigo, mas sei que se passa, mesmo antes de teres dado indícios disso, sei que vais tentar sempre esconder de mim, mas sabes, se vais sofrer eu vou sofrer contigo.
No meu peito carrego uma dor que nunca vai desaparecer, não quero que ela aumente, quero a cada dia que passa fechá-la mais um pouco. 
Não há interesses ou juízos de valor, há amor... Tu sabes que eu vou ser sempre a tua menina, e por mais que aches que são ciúmes da minha parte, não são,são saudades, e a vontade de querer ter um pai mais presente. 

Vou gostar sempre de ti, sempre sempre. E dava tudo para ter toda a gente perto de mim, só Deus sabe como me custa ver a minha família em cada canto...

Não sei se vais ler isto, mas penso que de uma maneira ou de outra chegará aos teus olhos.
Adoro-te pai, vais ser sempre o melhor.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Desabafo #14

Hoje perdi a conta à quantidade de vezes que quis escrever e perdi a coragem... Realmente não sei o que se passa dentro de mim que não me está a deixar expressar... Sou uma pessoa que anda sempre com a cabeça a mil e consigo escrever todo um texto dentro dela, mas quando chego aqui puf, desaparece... Confesso que muitas vezes perco a vontade porque venho escrever o que não devo, mas outras, outras sei que vou chorar ao escrever e não quero...Prometi a mim mesma que iria ser forte, e acreditem ou não, estou a dar o meu máximo, luto contra os meus próprios sentimentos e mostro que luto arduamente para não sofrer. É dificil, é, quando me sento sozinha sinto uma explosão de sentimentos dentro de mim, e apenas nesses momentos a minha força desvanece e deixo de lutar contra eles.
Apenas passaram seis meses. Sabem aquela sensação que já passaram anos? Acontece tanta coisa em tão pouco tempo, que o tempo deixa de ter significado. Seis meses, parece que foi ontem... Há memórias que realmente são impossíveis de apagar, não que eu as queira abominar da minha vida, mas ainda estão tão presentes, reviver aquele treze de Julho não é fácil e um tanto ao quanto doloroso. Existe aquela frase que "há sorrisos que nunca se esquecem", mas eu alterei para "há pontapés que não se esquecem"... Até do último...

Ai, se a saudade matasse... Aquele sentimento de o querer todos os dias junto de mim consome-me. Não tenho conseguido lidar com isso confesso. A minha raiva, ira, ódio, parece que tudo emerge à superfície e transforma num tsunami de sentimentos. Calma e tranquilidade precisa-se... Já perdi tanta coisa por não conseguir me controlar... Ninguém tem culpa, muito menos ninguém tem de levar com este turbilhão que carrego, mas a verdade é que também ninguém está nem aí para tentar entender e apoiar...

O Fábio lá voltou para Lisboa, dois dias sozinha, confesso que já estava habituada a tê-lo todos os dias aqui, e a poucos dias de irmos para a casa nova (porque só falta virem ligar a água e a luz), sinto que ainda me falta dizer e fazer muita coisa...

Sensações estranhas...

"Se magoa? Claro que sim! Mas não há dor maior do que a que já ganhámos.
Se acham que dor é uma palavra muito negativa, podemos falar de vazio. Neste destino de ser uma mãe que perdeu um filho, estas duas palavras andam de mão dada, mas não nos impedem de sorrir para a vida. Há dias de profunda tristeza que superamos com a certeza de que apesar de tudo, fomos privilegiadas por ter os nossos filhos."




segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Ausente mas sempre presente!

Pois é, estou numa fase da minha vida que adorava que os dias tivessem no mínimo quarenta e oito horas para poder fazer tudo aquilo que preciso. Dividida entre o trabalho, estudo, mudanças, idas ao médico, a coisa não está fácil. Os estudos estão em stand by (infelizmente) porque realmente não há tempo para tudo. As mudanças ocupam a maior parte do meu tempo, não o facto de estar sempre a encher a casa (porque não tenho nada para fazer encher), mas pesquisar e pensar como e onde comprar ocupa-me a maior parte do tempo. Posso dizer que dois mil e quinze começou de uma forma muito turbulenta, mas, até que não foi mau, tenho a certeza que se nada tivesse acontecido, a minha vida não tinha dado este passo gigante. 
Sabem aquela sensação de estar feliz, mas ao mesmo tempo não estar? Nunca escondi o quanto ansiava arranjar casa cá em Portugal e mudar-me. Tinha esses planos em mente enquanto estive grávida. A minha intenção era voltar para França, mas manter cá uma casa para que sempre que cá viesse ter o meu espaço, onde o Francisco pudesse ter as coisas dele cá e lá, e pronto, não depender de mais ninguém... Não preciso de dizer que esse plano saiu completamente furado. Então agora, nos dias em que passo na casa nova, há uma dor que me acompanha. Ainda ontem, enquanto estava a montar um dos quartos, ao ver as malas do Francisco, foi como se o meu coração parasse... É tão estranho um objectivo estar a ser meio cumprido! Está a doer, e por muito que me repita, e que saibam que dói sempre, mexer e remexer em todas aquelas coisas custa muito. 
Lembram-se da minha publicação na minha página do facebook? Eu sonhei com ele. Em seis meses foi a primeira vez. Tantas vezes tentei, adormecia a pensar nele sempre com a esperança de sonhar... Foi tão bom. Tinha exactamente seis meses, estava com um fatinho azul e a sorrir dentro do carrinho! Pode parecer uma estupidez minha, mas pela primeira vez em seis meses sentia-me tão bem, tão feliz. Eu não o vi quando nasceu, mas naquele sonho era exactamente como o descreveram, e como sempre o imaginei... Não quero pensar que estou maluca, quero acreditar que isto é um sinal, que o facto de finalmente a minha vida estar a andar para a frente, ele fica feliz por mim, por nós!!
Só Deus sabe o quanto eu queria tê-lo aqui para partilhar connosco a felicidade plena! A poucos dias da mudança, e apesar de estar completamente feliz, tenho receio de viver repleta de saudade eterna. Não aquela saudade que já vive em mim, simplesmente a saudade em que me aprisionarei sempre a um espaço vazio. 

...

O tempo tem sido pouco, mas tenho tido sempre algum tempo para passar cá e ler alguns posts e mensagens do facebook. E fico eternamente grata por cada mensagem que recebo de apoio e carinho..

Beijinhos
Carla Salgado

sábado, 17 de janeiro de 2015

Será um desabafo?

Provavelmente sim é um desabafo. Hoje sem dúvida não foi o meu dia em todos os aspectos. A minha cabeça não pára de funcionar (pode parecer estranho, eu sei), mas há coisas que eu vejo/sei/observo que me deixam mesmo confusa! Não sou a melhor pessoa do mundo, muito menos a mais sincera ou frontal (parece que esta palavra está na moda), já menti, quem nunca o fez que atire a primeira pedra... Mas, deixa-me assim o cérebro numa espécie de esponja de água quando vejo pessoas que eu sei, com toda a certeza do mundo que são falsas a falarem de sinceridade... Mas será que esta gente sabe o significado das palavras, ou terei de abrir os cordões à bolsa e começar a distribuir dicionários? Se há uma coisa que eu aprendi nesta vida, que para já é muito curta, é que as pessoas que se dizem mais sinceras são aquelas em quem menos devemos confiar. Porquê? Porque sinceridade está nos actos e não nas palavras. 
Cometi erros que sei que nunca irei conseguir corrigi-los, perdi pessoas que nunca quis ter perdido, afastei pessoas que me faziam falta, e perdoei quem nunca deveria ter deixado ir... Se estou arrependida? Não, nada. Tudo na vida tem um porquê, assim como um senão, e de cada luta na nossa vida temos de retirar um resumo, e fazer uma conclusão. Nada acontece por acaso, e frazes feitas à parte, se tudo o que me aconteceu tinha de acontecer, então que eu tire uma grande lição de vida disso.

Para já, só desejo que as pessoas que estão do meu lado continuem, mesmo sem medo de enfrentar comigo as maiores tempestades. E nos dias em que eu quiser gritar e vocês forem os "sacrificados", não fujam, ensinem-me!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

#jesuischarlie

Ora cá está um assunto que eu não queria falar. Normalmente não faço nenhum post sobre a actualidade, nem sobre os acontecimentos, a não ser que façam me algum tipo de confusão. E este não fez, minimamente. Pode parecer cruel, mas um ano em França, deu perfeitamente para entender alguns pontos desta situação. Não percebo muito de religiões senão a minha, sou católica, não praticante, se é que se pode chamar assim. A vida ensinou-me a ter fé, e a acreditar num Deus, aquele que desde que nascemos nos deram a conhecer, a acreditar e a amar. Do outro lado do mundo, a mesma coisa, existe um outro Deus em que são ensinados da mesma forma que nós, ou talvez de uma forma mais abusiva, chamemos-lhe assim. 
Para quem está em Paris, e vê as notícias sabe que imensas são os arrufos entre muçulmanos, islâmicos, judeus, e afins, há, e haverá sempre uma certa rivalidade com aqueles que não fazem parte do mesmo ciclo. O mesmo se passa com os muçulmanos que fazem o ramadão. Lembro-me de estar na formação e ver aquelas raparigas quase "malucas" por não poderem comer à luz do dia, sempre achei mal. As nossas crenças e os nossos sacrifícios perante Deus não necessitam de passar por uma crueldade dessas. Sim, para mim é crueldade. Eu faço imensas promessas, eu rezo, quando tenho oportunidade vou à missa, mas acima de tudo está em mim e naquilo que eu sou acreditar, ou não. E aí começam as rivalidades, o que para nós é exagerado, para eles é a vida... Fui criticada várias vezes por alguns muçulmanos, pelo simples facto de estar a viver, na altura, com o meu namorado e o meu pai na mesma casa. Meu Deus, para eles isso é pecado, é casar e ter a nossa casa, fora da família. Cheguei a ler notícias no jornal "Metro" em Paris, de cidadãos islâmicos que foram mortos por pessoas da mesma religião, pelo simples facto de fumarem. Tem cabimento? Não. Mas para eles tem.
O mesmo aconteceu neste atentando recente ao jornal de Charlie Hebdo. As suas caricaturas não foram aceites por eles, e eles entraram a matar... Se agiram mal? Claro que sim, mas também temos de ser suficientemente humanos para termos a capacidade de nos colocar no lugar de muita gente. Dizemos "ai não, eu se fosse islâmica nunca faria uma coisa dessas", será mesmo? Será mesmo que estamos a ser sinceros, ou nos tornámos numa cambada de hipócritas incapazes de ver o lado de toda a gente, e não só das pessoas que achamos que estão certas?
O Gustavo Santos fez uma das suas críticas ao atentando, e foi logo bombardeado de criticas, que na minha opinião, não são minimamente construtivas e/ou sérias ao ponto de poderem ser ditas. Mas afinal, quem somos nós para criticar alguém? Na minha opinião, e sem dar a razão a ninguém, foi humano suficiente para se colocar no outro lado. E deixo aqui algumas palavras dele após a primeira crítica.



Não sou de acordo com nada, nem com o que ele disse, nem com o que os outros fizeram, NADA. Não digo que deixo nas mãos da justiça, porque essa nunca resolverá nada. O facto dos dois irmãos terem morrido não é fazer justiça, mataram pessoas inocentes e morreram de seguida, pronto, não sofreram, não foi feita justiça.
A liberdade passa, essencialmente por dizer aquilo que se pensa, e também aceitar aquilo que se vê /ouve! Mas parem de julgar, construam as vossas opiniões em factos e não se baseiem apenas naquilo que ouvem, que vêem, que dizem saber. Acham mal? Claro, ninguém acha bem a morte de inocentes. Mas tal como disse, coloquem-se no lugar de todos, e não no lugar de quem acham que têm razão.


Querem a minha opinião? E mesmo que esta não valha de nada, eu digo, prestem atenção a notícias que valem mesmo a pena. Olhem aquele barco com cinco pescadores que naufragou em Sintra na madrugada de ontem? Apenas um sobrevivente, e os outros? Os destroços aparecerem mas nada de pescadores. As crianças que a cada minuto morrem à fome, os pais que perdem os filhos por diversas situações, aqueles pais que vêem os filhos a morrer numa cama de hospital... Isso sim, são mortes de inocentes que nada fizeram para merecer um fim destes...

Pensem, não julguem! Se são tão a favores da liberdade, usufruam dela e não se fechem numa opinião que só destrói!



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

As mudanças começaram!

Já à alguns dias que estou para cá escrever, ultimamente surgiram alguns contratempos que me impediram dedicar tempo a tudo o que me faz bem, coisas boas, coisas más, a verdade é que finalmente começaram as mudanças... 
Sabem quando costumam dizer que para acontecer coisas boas é preciso passar pelas más? Pois é, a minha vida é assim mesmo, até chegar às coisas que realmente quero que aconteçam passei por mil e uma tempestades e caminhos repletos de buracos. Se sofri? Muito. Se perdi? Bastante. 
Ontem o Francisco fez seis mesinhos, meio aninho, o meu coração chora com tanta saudade, mais ainda nesta fase tão importante da minha vida. Gostaria tanto de poder ser partilhado a três um momento que eu e o papá tanto ansiamos na nossa vida. Em França tinhamos a nossa casinha e as coisas corriam muito bem, costumava até dizer que o meu casamento só funcionava bem assim mesmo, porque enquanto estivemos, e estamos em casas de outras pessoas, nossa senhora, parece que as discussões não têm fim, mas a verdade é que quem casa quer casa, e lá está, finalmente já encontrámos a nossa casinha. Assim de um momento para o outro ela apareceu e encheu-nos o coração de felicidade. Já mereciamos a nossa paz, o nosso sossego e o nosso canto!
Posso dizer que, para chegar a este ponto batalhei, mesmo que de uma forma errada para uns, mesmo que tivesse de passar por cima de muita coisa, lutei para conseguir. Deixei de ser a menina que tolera tudo e deixa todos dizerem tudo sem nada fazer, o meu orgulho sempre esteve guardado no bolso,e em cada problema eu rebaixava-me e não deixava que nada de mau acontecesse. Mas isso acabou, não sei como, não onde encontrei, mas a verdade é que dentro de mim tenho uma força capaz de ultrapassar as maiores tempestades. Agora sim, sinto que a minha vida vai finalmente recomeçar do zero.

Que Deus me dê ainda mais força todos os dias, e abençoe a minha casinha.


Beijinho
Carla Salgado

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O que é realmente importante?

Não sei se isto é um desabafo ou uma espécie de retaliação. Não sei se simplesmente me surgiu a vontade de escrever, ou então mesmo o facto de ter necessidade de repousar tanto tempo me está a mexer com os neurónios. Seis dias passaram desde que começou o novo ano, constantemente sinto espécies de dejá vu como se exactamente à um ano atrás estivesse a dizer estas mesmas palavras. Hoje acordei com uma certa vontade de tudo aquilo que tinha, os amigos que deixei para trás, as pessoas que todos os dias se preocupavam e estavam lá comigo. Quando emigrei o à quase dois anos atrás avisaram-me constantemente sobre o mal que os portugueses fazem uns aos outros e todas as rivalidades que entre eles existiam. Confesso que assisti a alguns casos mas nenhum direccionado comigo. Fiz vários amigos e a maioria deles portugueses e NUNCA tive qualquer tipo de problemas com eles, muito pelo contrário, era como se estivesse em Portugal e a minha família estava presente, porque para mim, era isso mesmo, família... Quando penso nisso, penso também que ali estavam os meus verdadeiros amigos! Desde que regressei a Portugal, e com tudo o que aconteceu perdi muita gente, muita gente se afastou e eu não senti mais necessidade de procurar. Respeitei a vida de cada um, e sabia que o facto de eu ter perdido um filho não era fácil para quem me rodeava porque o assunto não é fácil... Mas será que por ter mesmo perdido o Francisco é que não deveria ter ainda mais apoio? É como se quando estivesse tudo bem todos estavam comigo, e quando a minha vida desmoronou nada mais me restou... Ao invés disso aqueles que estavam longe foram incansáveis comigo e mesmo longe mostraram aquilo que eu, no fundo, sempre precisei, amizade.
Sei que não sou uma pessoa fácil, sei que tenho um feitio muito difícil e mais ainda com todo o caminho que tenho percorrido e me tem tentado derrubar, mas nada disso é suficientemente lógico para que outras pessoas se afastem...
Dois mil e catorze acabou, dois mil e quinze trouxe-me mais orgulho, sei que sempre dei parte fraca e lutei por toda a gente, mas entrei no novo ano com amigos no coração, e são esses que quero continuar a levar para a vida...

Aos que estão cá, sei que tenho andado distante e fria, mas realmente nada tem sido fácil e eu própria tenho afastado toda a gente mude... 
Aos que estão longe, espero um dia poder reencontrar-vos e aproveitar aquilo que melhor temos, a vida... Guardo com um enorme carinho todos os momentos que passamos juntos, todos mesmo. Tenho imensas saudades.
















Mil beijinhos

sábado, 3 de janeiro de 2015

O primeiro do ano

Bom ano a todos os meus seguidores.
Pois é, 2014 já lá vai e cá estamos para presenciar mais uns quantos capítulos na nossa vida. Estou muito contente por saber que a minha página no facebook e aqui o meu cantinho está a ter outra visibilidade e cada vez mais pessoas me acompanham. Não sei, nem tenho como agradecer, apenas irei esforçar-me ao máximo para manter ambos o mais activos possível.
A passagem de ano correu muito bem, apesar de não ter sido aquilo que teria planeado, após um dia intenso de trabalho, foi apenas chegar a casa mudar de roupa e ir jantar com a família. Comecei bem o ano junto dos meus, e sempre com o meu amor do meu lado. Mas, o segundo dia do ano já não foi assim tão bom, a minha TVP voltou a dar sinais de vida, e as dores, o inchaço voltaram, pois é, abusei nas comidas, e no álcool e agora, descansa Carla. Ontem à noite apanhei um enorme susto quando vi a minha mão a ficar exactamente com os mesmos sintomas que a minha perna teve no inicio, roxa, inchada e a dor a aparecer, resultado: perdi a força nos dedos... Desta vez não falo de pouca sorte, porque eu sou a maior responsável de tudo isto. Hoje, seria dia de trabalho se tudo estivesse bem, mas o dia será para descanso e estudo que ainda falta um bom caminho.

Que este novo ano me traga mais felicidade e menos tristeza, que tudo de bom esteja para chegar, e todas as maldades tenham ficado em 2014!

Bom ano a todos e sejam imensamente felizes *