terça-feira, 21 de julho de 2026

Manifesto de Libertação

Sabem aquela sensação de viver a pisar ovos?

Sinto que passei 35 anos da minha vida assim.

Até ao dia em que soltei um grito de basta.

Algo em mim despertou. Uma necessidade imensa de me segurar com toda a força do meu corpo, de me escolher, de deixar de sobreviver e começar, finalmente, a viver.

Algo em mim grita luz. Esperança. Sabedoria.

Algo em mim grita paz.

Algo em mim grita oxigénio. Porque, meu Deus... como eu preciso de respirar.

Já me perguntaram muitas vezes se sou feliz.

E a resposta é mais difícil do que parece.

Eu posso sentir-me feliz e, ainda assim, não ser feliz. E talvez essa seja uma das maiores partidas que a mente humana nos prega.

Sinto-me feliz em muitos momentos. Rio. Emociono-me. Agradeço. Mas ainda não sou feliz.

Porque a felicidade não é uma coleção de momentos bonitos, de sorrisos rápidos ou de dias em que tudo corre bem. A felicidade é um estado de fundo. É uma estrutura. É a paz de saber que a tua vida está alinhada com a tua dignidade.

Passei três anos a colecionar momentos em que "estava" feliz, enquanto a minha alma sabia que eu não "era" feliz naquele lugar.

Ainda me falta tanto caminho para chegar à felicidade.

E, mesmo assim, olho para trás sem arrependimento.

Foram 35 anos bem vividos.

Construí uma família. E também a desfiz. Guardei o melhor no meu coração. O resto não é mau. É aprendizagem.

Apaixonei-me perdidamente por alguém que me mostrou o melhor da vida, mas também o pior. Conheci o amor, a paixão e a entrega. Mas conheci também a toxicidade, o desespero e o medo. Tudo na mesma pessoa.

Aprendi muito. Talvez mais do que alguma vez consiga explicar. Ninguém imagina o quanto a vida me ensinou nestes últimos três anos.

Mas, acima de tudo, vivi diante de um espelho.

As relações mais difíceis da nossa vida não aparecem por acaso. Não são um erro. São um espelho, muitas vezes cruel.

Foi nele que vi os meus medos, as minhas angústias, as minhas feridas e os meus traumas.

E foi nele que percebi que passei demasiado tempo à procura, nos outros, daquilo que sempre me faltou encontrar em mim.

Hoje entro oficialmente numa nova fase da minha vida.

A fase em que já não quero sobreviver às batalhas.

Quero vencê-las.

Quero deixar de viver no meio da guerra e começar, finalmente, a construir paz dentro de mim.

Porque acredito que a verdadeira felicidade começa exatamente aí.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

A Linha que o Destino Não Conseguiu Segurar



É a primeira vez que escrevo um texto para ti aqui. E ironia será também o último.

Em 2023 a minha vida virou de pernas para o ar. Muitos acharam que terminei um casamento por tua causa, outros achavam que eu estava louca. Eu estava apenas apaixonada.

Conhecemo-nos em 2013. Conhecimento banal, quotidiano, redes sociais e zero contacto durante dez anos.

A vida passou, correu, aconteceu.

O destino trouxe-te até mim. Hoje consigo perceber porquê.

Vivemos uma linda história de amor. Mas dolorosa. Uma antítese perfeita.

Somos o exemplo do casal mais imperfeito de sempre. A prova de que o amor não vale nada quanto vem sozinho.

Contigo aprendi muito.

Desde amar, até sofrer.

Contigo dei as maiores gargalhadas, daquelas que fazem doer a barriga. Mas tive os piores ataques de pânico de sempre. Agarrei-me ao meu próprio corpo a chorar de tanta dor que sentia no meu corpo.

Fizeste-me ver para além do que eu conhecia. Mas também me fechaste os olhos para algumas dores.

Sempre escrevi sobre amor e como o amor conduzia a minha vida . Dizia muitas vezes que a minha alma precisava de um amor que me consumisse.

Fui ouvida.

Eu vivi esse amor.

Eu estava completamente apaixonada por ti. Cega de amor. Tão cega que virou uma doença.

Hoje doi escrever isto. 

Percebi que passei três anos a idealizar uma pessoa que nunca existiu. Ou talvez não da maneira que eu queria e precisava. 

Dói saber que os meus sonhos caíram por terra. 

Dói largar o abraço, dói largar o carinho, o olhar que penetrava no meu coração e arrepiava cada parte do meu corpo.

Mas sabes o que não dói ? Saber que nunca mais irei cair no chão da « nossa »cozinha a pedir a Deus para me tirar a dor no meu coração.

Não somos compatíveis.

Não conseguimos ser felizes juntos.

Somos destrutivos um com o outro.

E chegou a hora de procurarmos a felicidade longe um do outro. 

Dói ver as lágrimas nos teus olhos. 

Saber que o calor dos teus braços não será mais o meu lugar.

Mas a dor ainda está tão presente.

Amei-te mais do que tudo até aqui.

Até a minha última gota de dignidade da minha alma…



Ficarás para sempre gravado no meu coração. 

Desde o primeiro olhar no aeroporto….



quarta-feira, 1 de julho de 2026

O Inferno Confortável

Escolhi ficar mesmo quando o mundo chorava a minha decisão.


Escolhi o conforto do conhecido. Conheci os cheiros das ruas, os olhares das pessoas, os sons dos vizinhos, como o vento assentava levemente nas nossas cadeiras da varanda. O lugar onde eu mais gosto de estar, a pensar, a ler, a escrever.


O conhecido é sempre aquele que a nossa mente nos guia em primeiro lugar. Até porque é sempre mais fácil sentir a dor do conhecido do que o medo do desconhecido.


Durante demasiado tempo vesti o papel de salvadora (não sei se tem algo a ver com o nome do meu filho), mas sempre quis ser a filha que ajuda, a irmã que está sempre lá, a amiga que escuta, a mãe que ampara e a companheira que segura. 


Dou-me por inteira quando amo, e não poderia ser de outra forma. Não sei amar de outra forma.

Os teus problemas são os meus problemas.


Sempre acreditei que a minha forma de cuidar, a minha forma de amar , a minha presença, iria salvar o mundo.


Mas no fim, quem me iria salvar a mim ?


Quando percebi que ter escolhido a dor do conhecido me destruía, não existiu ninguém para além de mim para me salvar.