Escolhi ficar mesmo quando o mundo chorava a minha decisão.
Escolhi o conforto do conhecido. Conheci os cheiros das ruas, os olhares das pessoas, os sons dos vizinhos, como o vento assentava levemente nas nossas cadeiras da varanda. O lugar onde eu mais gosto de estar, a pensar, a ler, a escrever.
O conhecido é sempre aquele que a nossa mente nos guia em primeiro lugar. Até porque é sempre mais fácil sentir a dor do conhecido do que o medo do desconhecido.
Durante demasiado tempo vesti o papel de salvadora (não sei se tem algo a ver com o nome do meu filho), mas sempre quis ser a filha que ajuda, a irmã que está sempre lá, a amiga que escuta, a mãe que ampara e a companheira que segura.
Dou-me por inteira quando amo, e não poderia ser de outra forma. Não sei amar de outra forma.
Os teus problemas são os meus problemas.
Sempre acreditei que a minha forma de cuidar, a minha forma de amar , a minha presença, iria salvar o mundo.
Mas no fim, quem me iria salvar a mim ?
Quando percebi que ter escolhido a dor do conhecido me destruía, não existiu ninguém para além de mim para me salvar.
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